Um assalto na madrugada do dia 31 de dezembro do ano passado mudou a rotina da comerciante Luciana Oliveira Primo. O estabelecimento dela foi um dos sete arrombados em menos de seis meses na avenida Interventor Manoel Ribas, região central de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Diante da falta de segurança, Luciana tomou uma atitude radical. Quando o comércio fecha as portas, depois das 18h, ela tira toda a mercadoria em exposição nas vitrines e leva para outro local mais seguro.
De quebra, a comerciante ainda deixou um recado na porta para os bandidos: ''Esta loja também já foi roubada. Por esse motivo, estamos retirando as roupas no período da noite. Obrigada''. Luciana conta que os assaltantes arrombaram a porta de blindex e, em menos de um minuto, levaram boa parte da mercadoria exposta na loja. A ação ocorreu por volta das 5h30 e foi muito semelhante ao relato de outros comerciantes da cidade ouvidos pela FOLHA.
''É a mesma coisa em toda loja. Eles levam só roupa de mulher, em tamanhos menores. Aqui dispensaram até os vestidos de festas, que são mais difíceis de passar para frente, e as bijuterias, que seriam fáceis de carregar'', afirma Luciana, que supõe tratar-se de uma quadrilha especializada neste tipo de mercadoria.
O operador de caixa Vinícius Oliveira Martin confirma o procedimento padrão dos bandidos. ''Não tem uma semana que a gente não ouve falar de assalto aqui na cidade. E no comércio é sempre do mesmo jeito: homens encapuzados que estouram a vitrine e muito rapidamente levam as roupas femininas. Aqui tinha computador, dinheiro no caixa, mas nem mexeram''. A loja em que ele trabalha foi assaltada na madrugada de 9 de dezembro, e depois disso a segurança foi reforçada com alarme, câmera e grades. Mesmo assim, na semana passada tentaram quebrar outro vidro que dá acesso à loja, desta vez sem sucesso.
Segundo Vinícius, a sensação de insegurança é geral na cidade. Toda a vizinhança do bairro em que ele mora já foi assaltada, inclusive com moradores sendo feitos reféns. ''A diferença ficou evidente de um ano para cá, e a gente fica com muito medo, acaba mudando alguns hábitos. No final das contas, acabamos presos enquanto os bandidos estão por aí'', protesta, lembrando que outra loja na mesma quadra fechou as portas após ser assaltada duas vezes.
A loja de Jéssica Moreno colaborou para as estatísticas do ano passado, reforçando ainda a hipótese da quadrilha. ''Só levaram roupa de mulher. Ficaram todas as camisas masculinas, roupas para mulheres acima do peso e lingeries. É a oitava loja assaltada desta forma em menos de três meses. Sinal de que alguém deve estar receptando estas mercadorias'', supõe a comerciante.
Jéssica afirma que, mesmo durante o dia, é difícil ver viaturas circulando pela região central da cidade, o que diminui a sensação de segurança entre os moradores. ''A população não sente a presença da polícia aqui. Tinha que ter uma ronda com maior frequência. Até porque, quando acontece alguma coisa, a polícia demora para chegar. Por isso nem adianta gastar com alarme, câmera'', indica.
Em um supermercado assaltado há duas semanas, homens armados renderam o vigia e desativaram o sistema de alarme para levar um caixa eletrônico com mais de R$ 50 mil em dinheiro. Para o proprietário do supermercado, Dair Locatelli, é mais um exemplo da situação de insegurança vivida no município. ''Perdeu aquele clima de cidade do interior. Não deixo nem meu filho andar à noite na rua de medo que aconteça alguma coisa. É uma situação muito triste, porque prejudica todo mundo. A cidade deixa de crescer, não se desenvolve'', lamenta o empresário.
Na opinião da comerciante Luciana Oliveira Primo, a solução imediata para o problema é a presença de mais policiais nas ruas, reforçando a segurança na região central. ''Deveriam colocar um módulo policial no centro, e rápido. Até quando vou ter esse trabalho de tirar as mercadorias da loja todos os dias?''.

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