Lúcio Horta
De Londrina
A onda de assaltos que atinge Lon drina desde o final do ano passado tem causado muito mais do que prejuí zos financeiros. O medo da morte é constante, sobre tudo quando a vítima percebe a arma de fogo na mão do assaltante. E é isso o que está ocorrendo cada vez mais na cidade: as ‘‘visitas’’ às farmácias, padarias, supermercados e bares em geral viraram rotina.
Os exemplos contribuem para a sensação de insegurança. Casos como o da advogada Alexandra Disseró, morta durante um tiroteio num bar da área central, em fevereiro deste ano, e do comerciante Antonio Okamoto, que tentou reagir a um assalto há menos de duas semanas, no Jardim Bandeirantes (zona oeste), martelam na memória de muitos londrinenses. Okamoto levou um tiro no tórax e morreu.
Foi justamente no crime do Bandeirantes que outro comerciante, Everton De Matos Araújo, pensou no último sábado, 3 de julho, às 14h40. Ele atendia a um cliente no balcão do Supermercado Montese, na zona sul de Londrina, quando sentiu um objeto sendo encostado em suas costas. Achou que fosse brincadeira, mas logo ouviu um palavrão e percebeu que tratava-se de um assalto.
Outro comerciante, Gilberto Militão, 41 anos, dono de uma casa de carnes na zona oeste de Londirna, teve a nítida sensação de que fosse morrer. No último dia 6 de julho, deitado no chão frio do açougue ao lado da esposa e com uma arma apontada para a cabeça, sentiu um frio na barriga quando o ladrão pediu o dinheiro do bolso. Quando o comerciante colocou a mão na parte de trás da calça, para tirar a carteira, percebeu o assaltante engatilhar e aproximar a arma na sua cabeça. O ladrão só desengatilhou quando percebeu que o objeto do comerciante era mesmo uma carteira de couro e não representava uma tentativa de reação.
‘‘Não tem como reagir, a coisa é muito rápida e eles agem com nervosismo. Não dá tempo nem de sonhar’’, comenta Militão. O assalto na casa de carnes ocorreu já à noite, por volta das 19 horas. Quando os ladrões chegaram, estavam com o comerciante no local a esposa e uma filha de 13 anos. A filha, assim que percebeu a movimentação, fugiu pela porta dos fundos do açougue, sem ser notada, foi até a vizinha e chamou a polícia - graças a ela, dois dos quatro assaltantes acabaram presos. ‘‘Mas na hora a gente até pensou que tivessem levado a menina’’, lembrou o pai.
Militão teve um prejuízo de R$ 1,5 mil - dos dois rapazes presos, um deles menor, só recuperou R$ 37,00. Detalhe: o açougue foi aberto num sábado e já recebeu a visita dos ladrões na terça-feira seguinte. Antes, ele tinha um restaurante na zona sul da cidade. ‘‘A gente fica preocupado porque somos novos na região e não sabe qual vai ser a reação deles (assaltantes) depois da prisão e do reconhecimento’’, comenta.

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