Correspondente

Celso MargrafToca da feraDemiate mostra o penhasco onde ficava a toca da onça que foi morta pela Polícia Florestal depois de atacar centenas de bois e vacas na regiãoPONTA GROSSA - Entre os anos de 1979 e 1980, a morte misteriosa de animais no campo, assim como aconteceu com ovelhas na região de Curitiba, também assustou alguns pecuaristas de Ponta Grossa. Naquela época uma onça matou mais de 200 bois e vacas nas fazendas localizadas entre o Parque Estadual de Vila Velha e a Serra de São Luiz do Purunã, região que divide os municípios de Ponta Grossa e Curitiba.
Até que a onça fosse morta pela Polícia Florestal, os fazendeiros não sabiam qual era o animal que vinha matando o gado. Jorge Rosa Demiate, um dos pecuaristas que teve prejuízo com os ataques da onça, conta que existiam inúmeras especulações sobre o tipo de animal de que se tratava. Pelas pegadas e características dos ferimentos deixados no gado, a hipótese de ser uma onça também foi cogitada, disse Demiate.
Devido ao grande número de bois abatidos e também pela dificuldade de encontrar o animal que fazia os ataques, a morte dos bois ganhou destaque e teve repercussão em todo o Paraná. A Polícia Florestal chegou a escalar equipes especiais para capturar a onça. Em conjunto com a Polícia Florestal, os fazendeiros que vinham sofrendo com a ação da onça organizaram diversas caçadas em busca do animal.
Demiate não sabe precisar ao certo, mas disse que a onça foi encontrada uns três anos após o início dos ataques aos bois. Ele explicou que a Polícia Florestal não conseguiu capturar a onça e foi obrigada a matá-la. ‘‘A onça foi encurralada, mas devido à violência com que ela tentou escapar, os policiais tiveram que matá-la’’, lembra Demiate. O animal foi morto em uma fazenda na Serra de São Luiz do Purunã.
Celso MargrafBoa parte dos ataques ocorreu na Fazenda Capão Grande, localizada perto do Parque Estadual de Vila Velha
Somente na Fazenda Capão Grande, de propriedade de Jorge Demiate, a onça matou mais de 50 cabeças de gado. ‘‘Era um verdadeiro pesadelo, que atormentava todos os pecuaristas da região’’, recorda Demiate. Ele lembra que a onça quebrava o pescoço do boi e comia o coração e as vísceras do animal. Segundo Demiate, algumas vezes a onça matava e chegava a arrastar um boi por mais de 100 metros.
Além dos animais que foram mortos, Demiate explica que muitos outros, que conseguiam esboçar alguma reação diante dos ataques, ficavam gravemente feridos. João Luiz Marques, fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que acompanhou o caso naquela época, disse que a onça fez um verdadeiro estrago nos rebanhos de toda a região.

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