Mandaguari- A empregada doméstica Ana Aparecida dos Santos de Castro, de 47 anos, levou um susto na última terça-feira ao se deparar com uma onça-parda no corredor da casa onde trabalha, na Rua João Ernesto Ferreira, na área central de Mandaguari (Região Metropolitana de Maringá). Ela, que trabalha há 21 anos no local, relatou que nunca tinha visto uma onça antes e se apavorou com a situação. "O cachorro estava cheirando o quarto ao lado de onde estava a onça, mas não imaginei que ela estivesse por lá. Eu limpei esse quarto e por volta das 16h10 e fui para os fundos da casa, quando me deparei com o bicho", relatou.
Ana achou que fosse um cachorro e pegou uma vassoura para espantá-lo, mas mudou de ideia quando viu que tinha se enganado. "Eu só percebi que era uma onça quando fui para cima dela com a vassoura e ela arreganhou os dentes para mim."
Diante da situação de perigo, Ana saiu correndo. "Fui para dentro da casa e fechei a porta do corredor. Achei que ela iria correr atrás de mim, mas ela permaneceu no mesmo lugar. Ela deve ter entrado na casa à noite, porque no dia anterior eu tinha limpado lá e não encontrei nada", afirmou a empregada. Ela diz que ficou tão nervosa que nem conseguiu ligar para os bombeiros. "Mas uma vizinha que viu a minha situação acionou o socorro", comentou.
O patrão dela, Marco Antônio Trintinalia, conta que não acreditou quando ligaram para ele falando que havia uma onça em seu quintal. "Juntou uma multidão na rua, que nunca tinha visto uma onça antes. Nesse aspecto poder ver um animal desses tão de perto foi um motivo de alegria de todos", relatou.
Centenas de moradores acompanharam a operação de captura em frente à casa de Trintinalia. Segundo ele, a ação foi "bastante difícil", já que foi preciso aplicar um sedativo para acalmar o felino. Isso só foi possível com o uso de um dardo tranquilizante. Por volta das 20h30, o o bicho foi colocado em uma jaula de transporte.
Segundo a Polícia Ambiental de Mandaguari, o animal pesa 55 quilos e tem um metro de comprimento. A idade dele é estimada entre 3 e 5 anos. O felino, que também é conhecido como suçuarana, foi encaminhado ao Batalhão de Polícia Ambiental de Maringá.
Um dos policiais, que pediu para não ser identificado, destacou que a onça estava bastante cansada. "Cogitaram que ela pudesse ser um animal de cativeiro, mas com essa agressividade descartamos essa hipótese. É quase certo que é um animal selvagem. Não é comum aparecer uma onça dessas por aqui. Ela deve ter vindo de uma reserva distante", destacou.
O animal será avaliado por um veterinário e vai receber tratamento, já que apresentava um ferimento na pata dianteira direita. "Posteriormente ele será libertado em uma reserva próxima daqui. Provavelmente o destino do animal será a Reserva do Matão, que fica bem próxima", explicou o policial.
A operação mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Polícia Ambiental, a Polícia Militar e o o Samu. A Polícia Militar Ambiental salienta que em situações semelhantes não é indicado se aproximar nem tentar capturar o animal. O correto é acionar a Polícia Ambiental e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) o mais rápido possível.
A doméstica Ana Castro conta que dias atrás sugeriu ao patrão, em tom de brincadeira, que cortasse a grama do quintal, caso contrário "poderia aparecer uma onça por lá". "Nunca mais vou repetir essa frase. Não é mole ficar de cara com uma onça. Se bem que a bichinha parecia um gatinho e até que era bonitinha. Mas só de pensar que ela podia avançar para cima de mim se eu tivesse batido com a vassoura nela, me dá um arrepio", concluiu.

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