Os números em torno da violência contra a mulher no Brasil assustam, mas também chama atenção a omissão de amigos, parentes e conhecidos das vítimas. Muitas pessoas conhecem mulheres que são vítimas de violência, mas nada fazem para ajudá-la a sair desta realidade.
Na pesquisa ''Percepções sobre a violência doméstica contra a mulher no Brasil'', realizada pelo Ibope em 2009, 55% dos entrevistados afirmaram que conhecem casos de mulheres vítimas de agressão, e apenas 39% delas disseram ter tomado uma atitude de colaboração com a vítima.
De acordo com a juíza da Vara Maria da Penha em Londrina, Zilda Romero, a omissão é uma realidade, já que as brigas geralmente ocorrem no seio da família e as testemunhas, em sua maioria parentes, dificilmente aceitam se envolver. ''Normalmente as pessoas só decidem ajudar a vítima quando chega nas últimas consequências e começam as agressões físicas'', disse. Ela destacou que muita gente ainda leva em consideração aquele estigma de que em briga de marido e mulher ninguém deve se envolver.
Para Zilda, além de tomar a decisão de denunciar e levar o processo adiante, outra situação difícil enfrentada pelas mulheres é convencer amigos e parentes a prestarem depoimento. ''O depoimento das testemunhas que presenciaram as agressões é fundamental para que se prove a autoria e para chegarmos à condenação do agressor'', destacou a juíza. Ela lembrou que só a palavra das vítimas não basta. ''A agressão física deixa marcas e para provar temos os laudos do Instituto Médico Legal, mas as agressões verbais não deixam marcas na pele, por isso a prova é testemunhal'', completou.
Segundo a juíza, muita gente acha que agressão verbal, psicológica e moral não é violência. ''Há quem entenda como violência apenas a agressão física, mas a lei traz vários tipos de violência familiar'', explicou. Zilda destacou que às vezes a violência verbal fere mais que a física.
Para combater a violência que aflinge muitas mulheres brasileiras, estão sendo desencadeadas campanhas de divulgação da Lei Maria da Penha. ''As pessoas têm que se conscientizar que precisam se envolver nestas brigas precisamos acabar com esta cultura de que xingamento não é violência'', completou.
Toledo
A omissão da sociedade frente à violência contra a mulher foi registrada em uma ação da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, realizada pela Secretaria e pelo Conselho da Mulher de Toledo (Oeste). Para analisar a reação da sociedade, um casal de atores foi para o Calçadão e simulou uma briga. Discussão, xingamentos, humilhação, tudo isso foi presenciado pelas pessoas que passavam pelo local sem que ninguém intervisse. Após 59 minutos de briga o ator começou a agredir fisicamente a atriz, então uma mulher chamou a polícia.
Para a secretária da Mulher de Toledo, Mareli Vanzo Donin, este é o retrato de uma sociedade que não denuncia e se cala diante da violência. ''Muita gente tem medo de se envolver; alguns até querem ajudar mas não sabem como'', disse. Segundo ela, apesar de Toledo contar com uma Delegacia da Mulher e com um Conselho da Mulher, muitas pessoas não sabem quem procurar na hora de fazer a denúncia. ''Queremos divulgar ao máximo os tipos de violência e as formas de denunciar'', disse.
Serviço - Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 180. Quando o fato estiver ocorrendo as denúncias devem ser feitas diretamente para a Polícia Militar (190); nesee caso, o réu pode ser preso em flagrante delito.

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