Olympio quer câmara específica
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sábado, 17 de janeiro de 1998
Cristine Pieske 
Kraw PenasAgilizaOlympio de Sá Sotto Maior Neto, procurador de Justiça do Paraná, lembra que boa parte das denúncias contra administradores públicos não é apreciada pela Justiça: Solução seria a criação de uma Câmara Criminal exclusiva para o julgamento dos crimes cometidos por administradores públicosO Ministério Público do Paraná recebeu, nos últimos quatro anos, aproximadamente 600 denúncias contra prefeitos e ex-prefeitos do Paraná acusados de desvio de verbas e má-gestão do dinheiro público. A maioria dessas denúncias, apesar de terem sido investigadas, não foram julgadas nem resultaram em qualquer punição dos acusados.
O procurador geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, considera o número assustador, e diz que a demora no julgamento dos crimes contra a administração pública é ocasionada pela falta de uma estrutura específica para apreciação destes processos. Atualmente, todos os casos entram na fila de julgamentos da Justiça e correm o risco de ficar sem solução. A solução seria a criação de uma Câmara Criminal exclusiva para o julgamento dos crimes cometidos por administradores públicos, defende o procurador.
Câmaras criminais desse tipo já existem no Rio Grande do Sul e têm agilizado os julgamentos. Para o procurador geral de Justiça, a ausência de um órgão semelhante no Paraná deixa uma sensação de impunidade. Faltam casos de condenações no nosso Estado que possam servir como exemplo para todos os administradores mal-intencionados, diz.
O Ministério Público do Paraná também investigou, há um ano e meio, um grande caso de sonegação de impostos por um grupo de empresários de Curitiba, conhecido como Clube dos 60. Alguns empresários envolvidos no crime acabaram sendo presos.
O procurador afirma que outro grande desafio da próxima direção do Ministério Público, que será eleita dia 16 fevereiro, é a solução dos problemas envolvendo crianças e adolescentes. Hoje já não basta garantir o acesso de todas as crianças à escola, é preciso garantir sua permanência na instituição, diz. A principal aposta do Ministério Público são as Promotorias da Comunidade, que atendem a população carente em bairros da periferia.


