Olimpíada revela novos talentos da Matemática
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Caroline Vicentini<BR>Reportagem Local 
Para muitos estudantes, a Matemática é difícil ou enfadonha, mas para um grupo de adolescentes problemas são um gostoso desafio esperando uma resolução urgente. Desde 2005, milhares de estudantes brasileiros estão descobrindo o prazer de lidar com os números em situação de desafio por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Este ano, 19,2 milhões de estudantes da quinta à oitava série do ensino fundamental e das três séries do ensino médio participaram da competição. Eles representaram 43,8 mil escolas de 99,1% dos municípios brasileiros.
Criada para estimular o estudo da Matemática entre alunos e professores, descobrir talentos para a área e colaborar para a melhoria do ensino, os números mostram o crescimento da iniciativa. A primeira edição reuniu, em 2005, 10,5 milhões de alunos, 31 mil escolas e 93,5% das cidades.
Os vencedores da quinta edição da Obmep, considerada a maior competição do gênero em todo o mundo, foram conhecidos nesta semana. Ao todo, serão premiados 300 estudantes com medalhas de ouro, 900 com prata e 1,8 mil com bronze. Outros 30 mil alunos que obtiveram a maior pontuação nacional receberão menção honrosa. A cerimônia de entrega está marcada para março de 2010. E o Paraná figura entre os melhores na competição. Pelo segundo ano consecutivo, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) recebeu o troféu por ter o melhor desempenho entre os estados da Região Sul. Os estudantes da rede pública estadual e federal conquistaram 12 medalhas de ouro, 60 de prata e 79 de bronze, além de 2.366 premiações de menção honrosa.
Curitiba e Guarapuava receberam troféu pelo desempenho dos municípios. No Núcleo de Londrina, que abrange 19 municípios, foram uma medalha de ouro, cinco de prata, três de bronze e 212 menções honrosas. ''A participação dos alunos é crescente e este ano os professores sentiram-se mais estimulados porque receberam o caderno de questões para trabalhar em sala de aula. A qualidade da avaliação despertou até o interesse de professores de outras disciplinas'', atesta a técnico-pedagógica de Matemática do Núcleo Regional de
Educação (NRE) de Londrina, Sueli da Silva Rossi.
Diferencial
Esforço pessoal e estímulo ao talento por meio da dedicação da comunidade escolar são a fórmula para atingir os lugares mais altos do pódio na Obmep. Lucas Felipe Sobrinho Ignácio, 12 anos, aluno da sexta série do Colégio Estadual do Jardim San Rafael, em Ibiporã, foi o único premiado com medalha de ouro no Núcleo de Londrina. Tímido, ele conta que ao conquistar menção honrosa na Olimpíada no ano passado, quando estava na quinta série, começou a se dedicar estudando conteúdos da sexta.
''Prestava muita atenção às aulas e complementava os estudos em casa. A ajuda do professor me emprestando livros e se disponibilizando a reforçar o conteúdo fora do horário de aula também foi fundamental'', enumera Ignácio, que confessa ter se surpreendido com o resultado.
''Quando fiz a avaliação de diagnóstico com ele percebi que havia um diferencial. Como o Lucas tem facilidade de assimilar conteúdos, já emprestei livros até da oitava série para ele'', afirma o professor Silvio Ito. Segundo a diretora geral do colégio, Rosângela Ber, a vitória do estudante foi o presente de Natal para a comunidade escolar. ''Este ano foi especialmente difícil para nós porque perdemos um funcionário que contraiu Gripe A e a as aulas foram suspensas várias vezes. A conquista do Lucas representa a valorização do nosso trabalho'', comenta.


