Ardência, sensibilidade à luz, irritação, vermelhidão, sensação de ressecamento e de areia, coceira e desconforto. Esses são os principais sintomas do olho seco, doença caracterizada pela deficiência na quantidade de lágrimas que, muitas vezes, é confundida com outros problemas como infecções ou alergias oculares. Embora pareça algo simples, o olho seco não deve ser desconsiderado e, inclusive, tem de ser tratado para evitar futuras complicações.
O oftalmologista Paulo Augusto de Arruda Mello explica que a lágrima tem inúmeras funções fundamentais para os olhos. ''Ela lubrifica, auxilia no aspecto óptico da imagem, ajuda na imunidade e limpeza do globo ocular'', elenca Mello, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (gestão 2009-2011).
Comumente a síndrome do olho seco é confundida com outras doenças e até diagnosticada erroneamente. ''O que assisto constantemente são pessoas usando lágrimas artificiais sem mesmo passarem por um exame adequado'', conta. Conforme o especialista, é preciso fazer um teste específico para medir a produção de lágrimas.
O especialista alerta que o diagnóstico diferencial é importante para que o olho seco não seja confundido com outros problemas. ''Se você for caminhar até a esquina e usar um tênis que não é do tamanho exato do seu pé, vai tolerar, mas se for correr uma maratona, vai ter problema. Assim são os óculos: se você estiver com o grau errado ou mesmo não usá-lo num trabalho rápido vai bem, mas se for algo que exija mais, passará a ter sintomas.''
Melo ressalta que olho seco não é uma doença de estação, ela ocorre em todos os períodos do ano, mas os sintomas se intensificam quando a umidade relativa do ar está baixa porque a lágrima evapora. ''Ar-condicionado e computador não causam olho seco, a pessoa já tem, o que acontece é que os sintomas se potencializam'', esclarece.
O oftalmologista Ivan Oliveira, de Londrina, completa que tanto a deficiência na formação da lágrima quanto a lágrima de má qualidade podem causar o olho seco. Segundo ele, essa síndrome pode ser classificada como leve (mais comum), moderada ou grave (associada a outras doenças).
''Existem casos de olho seco provocados pela baixa umidade do ar e também aqueles que são decorrentes de doenças autoimunes, reumatológicas e a Síndrome de Sjogren'', reitera a oftalmlogista Elaine Ferraresi Sampaio, de Londrina. De acordo com ela, em situações mais graves podem surgir complicações, como perda visual, porque a lágrima é importante para manter a córnea umedecida.
Inicialmente, o tratamento é feito a base de colírio, mas quando ele não resolve, podem ser administrados medicamentos que aumentam a produção da lágrima e, em casos mais graves, há intervenção cirúrgica e adaptação de um mecanismo para obstruir provisoriamente o ponto lacrimal.
Cuidados no verão
O presidente do CBO alerta para alguns cuidados com os olhos secos no verão. ''Devido ao mal-estar da síndrome, algumas pessoas passam mais as mãos nos olhos e quem tem pouca lágrima normalmente tem menos defesa e se expõe mais à conjuntivite'', ressalta.

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