Curitiba - Em julho do ano passado a dona de casa Jussara (nome fictício) teve uma forte gripe. Durante o período que o vírus se manifestou no organismo, ela perdeu parte do olfato e paladar. Após algumas semanas, quando a gripe já havia sumido, percebeu que continuava sem sentir cheiro e gosto. Foi quando resolveu visitar um médico.
Após exames de tomografia, percebeu-se que a gripe havia afetado o nervo olfativo. Como o problema foi detectado muito tempo depois, ela perdeu permanentemente a capacidade gustativa e olfativa.
Nestes seis meses, Jussara ainda tenta se acostumar com os limites causados pelo problema. Quando ela come algo, consegue perceber que o alimento é doce, salgado ou azedo, mas não tem como distinguir pelo gosto a diferença entre um bolo de cenoura e um brigadeiro, por exemplo.
''Deixei de comer chocolate pois não tenho mais prazer em fazer isso. Também não uso mais perfume, pois perdi o hábito, já que não sinto o aroma. É muito triste. Não sinto nem o cheiro dos meus filhos e netos'', lamenta.
Jussara também deve ter cuidados adicionais, pois não consegue perceber pelo cheiro se ocorre algum vazamento de gás ou se a comida está queimando. ''Adoro cozinhar. Esses dias fiz um risoto e percebi que estava pronto pois senti um gosto forte quando provei. Mas o sabor do alimento não sinto mais''.
A dona de casa foi acometida por um problema mais comum do que se imagina chamado anosmia, que é caracterizado pela perda do olfato ou incapacidade de sentir odores. Ela pode ser temporária ou permanente, sendo que alguns casos são congênitos. Em determinadas ocasiões ocorre a hiposmia, que é a diminuição da percepção dos cheiros.
Doença
Segundo a otorrinolaringologista Cinthia Nicolau, do Centro Otorrino e Plástica Facial, a causa mais comum da perda temporária do olfato é a obstrução nasal, seja por um resfriado comum ou sinusite.
Já a perda permanente decorre por dano nos receptores olfatórios (algumas infecções respiratórias, uso contínuo de determinadas gotas/spray nasal, trauma no nervo olfatório ou até tumores).
''Existem também algumas causas que podem ser temporárias ou permanentes de acordo com o período de instalação e correção da doença. Por exemplo, pólipos nasais, quando o paciente apresenta hiposmia há pouco tempo. Ele pode obter melhora após uma cirurgia'', explica Cinthia.

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