Um vazamento de óleo diesel iniciado no último domingo em um posto de gasolina de Cascavel provocou a contaminação da nascente do Rio Cascavel, principal fonte de abastecimento de água do município. Os primeiros indícios da contaminação foram verificados na noite de terça-feira, quando o óleo diesel chegou até a nascente do rio, que passa dentro do zoológico municipal. Na mesma área está localizado o lago municipal, também bastante atingido pelo produto.
A gerente do zoológico, responsável pela Divisão de Vida Silvestre da prefeitura, Gladis Dalmina, notou a poluição e comunicou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Sanepar. Funcionários do zoológico tentaram fazer barreiras com mantas especiais para sugar o óleo e tentar impedir que a poluição se espalhasse por uma área maior.
O chefe regional do IAP, Carlos Roberto Gonçalves, disse que o óleo chegou até a nascente do rio através das galerias de águas pluviais. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil colocaram várias barreiras no lago na tentativa de evitar que o óleo chegasse à área de captação da Sanepar. Cerca de 80% da população é abastecida com essa água. Enquanto as barreiras continham o avanço do óleo, três caminhões autofossa faziam a sucção do produto.
Para evitar danos maiores, a Sanepar diminuiu em 50% a captação de água proveniente do Rio Cascavel e colocou outras barreiras, feitas de espuma e isopor, a poucos metros do local de captação. As barreiras surtiram o efeito esperado e conseguiram conter o avanço do óleo. ‘‘Não existe risco de ser interrompido o abastecimento de água, porém vamos continuar com metade da captação até que todo problema seja resolvido’’, disse Carlos Roberto Pinto, gerente da Sanepar.
Funcionários do zoológico retiraram os pássaros que vivem no lago. Alguns que chegaram a ter contato com o óleo diesel precisaram ser lavados. Gladis Dalmina acredita que a quantidade ingerida pelos animais não foi muito grande, o que diminuiu os riscos de morte. ‘‘Porém, alguns peixes deverão morrer, pois existe bastante óleo no local’’, explica.
No final da tarde de ontem o Posto Pegoraro foi identificado como a fonte poluidora e o vazamento foi estancado. A Sanepar fará a lavagem das galerias por onde passou o óleo. Ainda não se sabe a quantidade de óleo que chegou ao lago municipal.
O proprietário do posto, Euclides Pegoraro, disse que toda a responsabilidade pelo vazamento é da empresa Ipiranga, que responde tanto pelas bombas como pelos tanques de abastecimento do posto. Ele afirma que, domingo, uma empresa do Rio de Janeiro esteve no posto fazendo uma análise do combustível, mas nada foi constatado quanto ao vazamento. A Folha tentou entrar em contato com a Ipiranga, em Curitiba, mas não obteve retorno.
O chefe regional do IAP declarou que o departamento jurídico do instituto está analisando as proporções do vazamento para que definir as penalidades aos responsáveis. Amostras da água contaminada foram encaminhadas para um laboratório de Toledo, para identificar as substâncias existentes na água. Os resultados serão conhecidos em uma semana.

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