Entre 100 mil e 200 mil litros de óleo diesel podem ter vazado para o Ribeirão Lindóia, na zona oeste de Londrina, em maio deste ano, volume maior que o divulgado, anteriormente, pelo Pool de Combustíveis, de 42 mil a 84 mil litros. Além de óleo, também pode ter ocorrido vazamento de gasolina. As conclusões fazem parte do relatório sobre o vazamento de óleo que foi entregue ontem à Promotoria do Meio Ambiente. O relatório é resultado de dois meses de trabalho de peritos nas áreas de química, biologia, geociências e economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo detectou ainda um aumento de 30% nos atendimentos dos postos de sáude próximos ao ribeirão, um mês depois de detectado o vazamento.
Para o geólogo André Celligoi, o estudo feito por uma empresa contratada pelo Pool ''subestimou'' a área atingida, por isso a diferença no volume de óleo. Celligoi disse que a pesquisa da UEL perfurou um poço em frente ao tanque-pulmão no pátio do Pool, local que não havia sido perfurado pela outra pesquisa. ''Encontramos no poço 16 centímetros de óleo puro sobre a água do lençol freático'', informou.
A análise química da água desse poço também indicou presença de BTEX (benzeno, tolueno, etil benzeno e xileno), sigla para os principais compostos da gasolina. A preocupação dos peritos é que o BTEX só é detectado em um período de 4 a 5 semanas, indicação de que pode ter ocorrido outro vazamento recentemente. ''Além da poluição ambiental, os componentes também são cancerígenos'', alertou o biólogo José Marcelo Torezan.
O médico Marcelo Tavares comparou o atendimento dos postos de saúde do Jardim Santiago e Jardim Carnascialli (zona oeste) com os três anos anteriores e detectou um aumento de 30% nos atendimentos do mês de junho. ''É um número significativo, até porque não houve nenhuma epidemia ou queda de temperatura nessa época. A prefeitura deveria investigar melhor isso e pedir ressarcimento à empresa'', disse. O médico teme que ainda apareçam problemas futuros, como tumores ou cânceres, por causa da ingestão de óleo.
Os peritos estimam pelo menos cinco anos para recuperação dos danos no meio ambiente. Segundo o biólogo Galdino Andrade, só sobrou no ribeirão uma espécie de peixe, o ''guaru'', que sobrevive até em esgoto.

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