Óleo dificulta tratamento de esgoto
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
O despejo de resíduos de combustíveis líquidos está comprometendo cursos dágua de Cascavel e até mesmo poluindo sistemas de tratamento de esgotos, que, depois de depurados, retornam para os rios. Óleo e gasolina são despejados por postos de combustíveis, oficinas mecânicas e empresas limpadoras de fossas. A Sanepar deverá pedir ainda esta semana à Promotoria do Meio Ambiente para que sejam investigadas causas e agentes poluidores.
Esta semana a lagoa de decantação da estação de tratamento de esgotos ETE Sul estava completamente coberta pelo óleo. Segundo técnicos da Sanepar, o despejo ocorre através da rede coletora de esgotos. A consequência imediata são dificuldades para o processo de tratamento, porque o óleo se acumula sob o espelho líquido, formando uma barreira contra a luz solar, um dos principais fatores na oxigenação da água e no processo de fotossíntese.
O óleo é substância inorgânica, não consumido pelas bactérias que fazem a necessária degradação dos compostos orgânicos do esgoto doméstico, explica o gerente da Sanepar, Afonso Marangoni. Como medida preventiva, e até que sejam identificados e responsabilizados os agentes causadores, a companhia suspendeu temporariamente as autorizações de uso das redes coletoras e dos emissários de esgotos por parte das empresas (autofossas) que fazem o esgotamento de fossas cheias, em estabelecimentos comerciais ou residências.
Afonso Marangoni relata que as estações, que recebem mais de 100 mil litros de dejetos por segundo, têm eficiência superior a 90% no tratamento dos esgotos. O índice, segundo ele, é índice considerado excelente e resulta em pouca contaminação dos cursos dágua nos quais é lançado o material tratado. Órgãos ambientais têm se preocupado com despejos de combustíveis em galerias de águas pluviais que acabam atingindo fontes de abastecimento.
Além da poluição ambiental, os despejos elevam o custo (hoje, R$ 1,16 por metro cúbico) de tratamento da água para fornecimento à população. No Parque Ecológico, na região central, percebe-se facilmente (inclusive pelo cheiro) a presença de combustíveis nas inúmeras nascentes do Rio Cascavel existentes no local. Sanepar e Vigilância Sanitária inspecionam galerias para constatar despejos. As notificações não têm surtido efeito. A Folha procurou o presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis, Rosalvo Tavares, mas ele estava viajando.


