O Lago Igapó I, no centro de Londrina, amanheceu poluído novamente, desta vez próximo da avenida Higianópolis, em frente ao Iate Clube. Junto com a sujeira urbana, o lago recebeu também uma descarga de óleo combustível. A mancha chegou até a metade do lago, mas o vento ajudou a contê-la junto à margem da Higienópolis.
Contatada pela Folha, a diretora técnica da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Silvia Saadjian, informou desconhecer o fato. Adiantou, no entanto, que iria pedir ainda ontem que o departamento de fiscalização verificasse o que havia provocado a poluição para apurar os responsáveis.
O engenheiro Kazushi Shimizu, coordenador de operação de esgoto da Sanepar, informou que ainda não tinha sido possível levantar o que provocou a poluição do lago I. Disse que a equipe de plantão foi acionada e estava no local verificando se havia vazamento de esgoto ou se o caso era de uma descarga clandestina de óleo. ‘‘De qualquer forma a equipe vai tomar todas as medidas necessárias para resolver o problema’’, garantiu.
Os primeiros a perceber o ‘‘acidente’’ foram os canoístas da seleção brasileira que treinam há quatro anos no lago. Segundo o vice-presidente da ONG ambiental Patrulha das Águas, João Batista Silva, os esportistas tiveram dificuldades para treinar e os cascos dos caiaques ficaram engordurados.
Esta é a segunda vez em uma semana que o lago I sofre com a descarga de sujeira e dejetos. A primeira foi na quinta-feira, quando um emissário de esgoto da Sanepar rompeu jogando parte dos dejetos no Córrego do Leme, que desemboca no Igapó 1. Na terça-feira foi a vez do Igapó 4 que recebeu uma descarga de resíduos industriais, somando três episódios em cinco dias.
As chuvas fortes de sexta-feira ajudaram a levar a sujeira para o lago – destino natural de toda água que cai ou é jogada na área urbana. A presença de dejetos só se explica com o rompimento de um dos dutos de esgoto da Sanepar. Quanto ao óleo, João Batista acredita que possa ser resultado de um lançamento clandestino de posto de combustível nas galerias pluviais.
‘‘A situação está se agravando cada vez mais’’, denuncia Batista. Para ele os desastres ecológicos que vêm atingindo o Lago Igapó são resultado do descaso do poder público municipal, empresas privadas e Sanepar. ‘‘Não basta solucionar os vazamentos, é preciso tomar medidas para conter estes acidentes e viabilizar a manutenção e limpeza dos lagos de forma organizada, eficiente e contínua’’, cobra.

mockup