Óleo combustível polui lago em Londrina
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sábado, 30 de setembro de 2000
Célia Baroni De Londrina 
O Lago Igapó I, no centro de Londrina, amanheceu poluído novamente, desta vez próximo da avenida Higianópolis, em frente ao Iate Clube. Junto com a sujeira urbana, o lago recebeu também uma descarga de óleo combustível. A mancha chegou até a metade do lago, mas o vento ajudou a contê-la junto à margem da Higienópolis.
Contatada pela Folha, a diretora técnica da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Silvia Saadjian, informou desconhecer o fato. Adiantou, no entanto, que iria pedir ainda ontem que o departamento de fiscalização verificasse o que havia provocado a poluição para apurar os responsáveis.
O engenheiro Kazushi Shimizu, coordenador de operação de esgoto da Sanepar, informou que ainda não tinha sido possível levantar o que provocou a poluição do lago I. Disse que a equipe de plantão foi acionada e estava no local verificando se havia vazamento de esgoto ou se o caso era de uma descarga clandestina de óleo. De qualquer forma a equipe vai tomar todas as medidas necessárias para resolver o problema, garantiu.
Os primeiros a perceber o acidente foram os canoístas da seleção brasileira que treinam há quatro anos no lago. Segundo o vice-presidente da ONG ambiental Patrulha das Águas, João Batista Silva, os esportistas tiveram dificuldades para treinar e os cascos dos caiaques ficaram engordurados.
Esta é a segunda vez em uma semana que o lago I sofre com a descarga de sujeira e dejetos. A primeira foi na quinta-feira, quando um emissário de esgoto da Sanepar rompeu jogando parte dos dejetos no Córrego do Leme, que desemboca no Igapó 1. Na terça-feira foi a vez do Igapó 4 que recebeu uma descarga de resíduos industriais, somando três episódios em cinco dias.
As chuvas fortes de sexta-feira ajudaram a levar a sujeira para o lago destino natural de toda água que cai ou é jogada na área urbana. A presença de dejetos só se explica com o rompimento de um dos dutos de esgoto da Sanepar. Quanto ao óleo, João Batista acredita que possa ser resultado de um lançamento clandestino de posto de combustível nas galerias pluviais.
A situação está se agravando cada vez mais, denuncia Batista. Para ele os desastres ecológicos que vêm atingindo o Lago Igapó são resultado do descaso do poder público municipal, empresas privadas e Sanepar. Não basta solucionar os vazamentos, é preciso tomar medidas para conter estes acidentes e viabilizar a manutenção e limpeza dos lagos de forma organizada, eficiente e contínua, cobra.


