Entre 3 e 5 mil litros de óleo foram despejados em um córrego no Km 42, da BR-277 –sentido Paranaguá-Curitiba– atingindo os rios dos Padres e dos Pintos, em Morretes, Litoral do Estado. A suspeita é de que o produto tenha sido derramado propositalmente de um caminhão. Análises preliminares feitas por técnicos da Ecovia, concessionária responsável pelo trecho da rodovia, e Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deram conta de que se trata de um óleo do tipo Baixo Ponto Fugor (BPF), utilizado para aquecer caldeiras. Não está descartada a hipótese de o óleo atingir o Rio Nhundiaquara e a Baía de Antonina. Este é o segundo acidente ecológico que atinge a região em menos de dois meses.
O IAP solicitou à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente para abrir inquérito policial para apurar a responsabilidade do derramamento de óleo. O técnico em recursos naturais do IAP, Lotário Horst Stoltz Júnior, explicou que o óleo, por ser espesso, está estacionando nas margens e pedras dos rios, formando poças e afetando a vegetação. Foram coletadas amostras da água e solo para apurar o nível de contaminação do local. O resultado deve ser divulgado na quinta-feira.
O técnico do IAP descartou a possibilidade do óleo ter sido derramado por caminhões que fazem a reforma daquele trecho da BR-277, administrado pela Ecovia. Mas ressalta que a empresa pode ser responsabilizada por ter ignorado o cógigo 07, que notifica qualquer veículo que fique muito tempo estacionado na estrada. Segundo ele, este tipo de ocorrência é registrado na ronda realizada pela empresa e, caso tenha sido notificada, pode levar ao condutor do caminhão.
O óleo tipo BPF é utilizado para aquecer caldeiras de navios e pode ter sido trazido por um caminhão que abastece os navios do Porto de Paranaguá neste final de semana. Na estrada, é possível verificar as marcas da mangueira do veículo que derramou o produto. ‘‘É uma substância tóxica, que pode causar danos para população’’, informou o laboratorista da Engenharia Brasileira de Construção (EBEC), Ironei Marins Ferreira de Lima, que coletou amostras da água para encaminhar o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
Funcionários da Secretaria de Saúde de Morretes começam hoje a visitar a população que mora às margens dos rios e orientá-la para que não utilizem a água dos rios para consumo humano, animal ou para irrigação.

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