Oktoberfest reúne tradição e modernidade
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sábado, 15 de outubro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Há mais de seis décadas, as primeiras famílias de alemães começavam a fincar morada na região de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), fugindo de uma Europa em guerra. Por aqui, foram construindo sua história sem, no entanto, esquecerem-se das tradições culturais da pátria-mãe. E uma forma que encontraram para garantir a preservação da cultura alemã em terras brasileiras foi através de festas típicas, como a Oktoberfest, que atingiu este ano sua maioridade. A 18 edição, que será encerrada hoje, chegou um pouco transformada pela modernidade mas ainda preocupada em continuar celebrando a alegria, os costumes e as tradições forjadas no Velho Continente.
A família do paisagista Paulo Unberhaun, 61 anos, chegou à região em 1937, guiada pelo patriarca Franklin Werner, então um jovem pioneiro com 37 anos. Paulo contou orgulhoso que enquanto todos se preocupavam em desnudar a mata virgem para abrir caminho para a agricultura, o pai era motivo de piadas entre os desbravadores por fazer exatamente o inverso. O tempo se encarregou de dar razão ao sábio alemão.
Daquela época sobraram as memórias, as fotografias da numerosa família reunida em frente à casa de pau a pique e as iniciativas que a colônia alemã teve para não ver morrer suas tradições culturais. Uma delas foi a realização da Oktoberfest, idealizada em 1988 pelo pastor luterano Edgar Ravache. À frente do brasão da família Unberhaun e acompanhado pela filha Silvia e pelo jovem pastor da Igreja Luterana local, Diego Bihel, de 27 anos, eles relembraram à Folha que a Oktoberfest surgiu pequenina, restrita à comunidade alemã que vivia no município. Alegres e festivos por tradições, os alemães procuravam com isso divulgar o costumes trazidos da Alemanha e, ao mesmo tempo, agradecer a receptividade que tiveram do povo brasileiro. ''Era uma festa um pouco fechada porque só se falava alemão'', recordou Sílvia. Por isso, nos primeiros anos não chegava a atrair a atenção do restante da população.
Os anos foram passando, a festa foi se ampliando e já a partir da sétima edição da Oktoberfest, contou Silvia, os alemães perceberam que não tinham mais condições de tocarem a iniciativa sozinhos e transferiram a responsabilidade para o Município. Hoje, além dos 600 representantes da cultura alemã que vivem em Rolândia, a Oktoberfest recebe gente de toda a região atraídos pela alegria contagiante da dança e música alemãs, pelos deliciosos pratos típicos trazidos do Velho Continente e pelo chope gelado.
Hoje, eles afirmam que a Oktoberfest teve que se modificar e diversificar suas atrações mas, por outro lado, ressalvam que ela ainda cumpre seu objetivo inicial. O coordenador-geral dessa 18 edição, Luiz Carlos Berbel, admitiu as mudanças mas disse que foram necessárias para atender a demanda do público que aumenta a cada ano. Neste ano, por exemplo, a expectativa é que mais de 60 mil pessoas visitem o espaço da Oktoberfest até seu encerramento. ''Procuramos preservar a característica de divulgar a cultura alemã mas tivemos que ir nos adaptando à atualidade'', concluiu Berbel.
Para quem ainda não visitou a 18 Oktoberfest ainda dá tempo. O pavilhão de exposição abre hoje a partir das 11 horas, recheado de atrações. Para quem quiser ir apenas saborear as delícias da típica comida alemã, a organização da festa avisa que o acesso ao restaurante é gratuito. De resto, só cabe desejar em bom alemão: ''ein prosit!''.


