Oito octogenárias para cada homem
Pesquisas e dados estatísticos apontam que as mulheres ainda vivem mais que os homens. De acordo com o médico geriatra Fabio Garani, de Londrina, isso ainda ocorre porque antigamente a rotina de homens e mulheres era muito diferente. Os homens estavam sujeitos a mais doenças e riscos por conta principalmente do trabalho.
''Hoje temos uma média de oito mulheres octogenárias para cada homem. Provavelmente daqui alguns anos a quantidade de homens com mais de 80 anos será igual a de mulheres. Ambos têm a mesma capacidade genética de chegar lá'', explicou o geriatra. Ele afirmou que a genética, as atividades feitas durante a vida e os cuidados com saúde e alimentação interferem na longevidade.
Para o geriatra, tão importante quando a saúde do idoso com mais de 80 anos é a autonomia. ''Se antes pensávamos em idosos sempre de bengala e dependentes da família, hoje o perfil é outro. Eles viajam, dançam, fazem amigos. É claro que existem as perdas naturais e alguns que tem limitações'', explicou Garani.
Segundo o médico, uma pessoa com mais de 80 anos com boa saúde pode fazer o que quiser. ''São cinco os principais cuidados que a família deve tomar do ponto de vista geriátrico: incapacidade, insuficiência cerebral, incontinência, desequilíbrio e dor. Está errado quem acha que é normal o idoso conviver com a dor'', afirmou.
Garani destacou que hoje o idoso influencia muito mais na sociedade, ''basta olhar os anúncios publicitários para chegar a esta conclusão''. Ele disse que o aumento da longevidade está relacionado a hábitos de vida mais saudáveis e medicamentos que permitem prevenir e reduzir a incidência de doenças.
Apesar da comprovação de que as pessoas estão vivendo mais, o geriatra disse que o Estado não está preparado para tanto idoso. ''A saúde pública e a Previdência Social não estão preparadas para absorver estas pessoas. Não há infraestrutura'', disse.
O geriatra afirmou que vários foram os avanços conquistados pelos idosos nos últimos anos, como a implementação do Estatuto do Idoso. ''Os direitos conquistados ajudam muito, também vemos muitos idosos preocupados com qualidade de vida'', observou. (M.A.)





