O cardiologista Cláudio Fuganti explica que os primeiros oito minutos são cruciais para a possível ressuscitação de uma vítima de parada cardíaca. Quanto mais o tempo passa, diminuem as chances da pessoa sair do quadro sem sequelas. ‘‘Em parada cardíaca, tempo é vida’’, afirma. Com a parada dos batimentos do coração, o sangue deixa de circular, a respiração cessa e o nível de oxigênio no cérebro cai drasticamente. ‘‘Há casos de ressuscitação tardia, mas sempre com graves sequelas para o cérebro’’, explica.
Segundo ele, em um quadro ideal pelo menos 30% da população saberia dar o suporte básico de vida, com o uso de desfribilador, até a chegada do serviço de emergência clínica. Porém, mesmo que esta ‘‘perfeição’’ não exista, saber reconhecer a vítima de parada cardíaca já pode ajudar. Fuganti afirma que, nisso, qualquer pessoa mesmo não treinada também pode ajudar.
Para ele, a identificação da vítima é fácil: ao encontrar uma pessoa caída, o primeiro passo é verificar se está consciente, chamando-a ou até sacudindo-a, se necessário. ‘‘Se não estiver consciente, deve-se ligar imediatamente para um serviço de emergência. Só que aí entra a parte mais difícil: ligar para quem?’’, questiona. O segundo passo é checar novamente a vítima, para ver se está respirando. Se não, tentar respiração boca a boca, soprando duas vezes na boca da pessoa. ‘‘Se o peito ou barriga da pessoa inflar, vai afastar a possibilidade de ser uma parada cardíaca causada por uma obstrução com comida, por exemplo.’’ O terceiro procedimento é colocar dois dedos no pescoço da vítima, logo abaixo da mandíbula, para perceber a pulsação. ‘‘Se a pessoa não responde, não respira e não tem pulsação, com certeza é uma parada cardíaca e precisa ser desfribilida com urgência’’, diz. (T.E.)

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