Oficinas resgatam brincadeiras
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Na tenda armada na Calçadinha a filha caçula do Calçadão crianças se reúnem nos finais de tarde para resgatar brincadeiras quase esquecidas, que de tão relegadas chegam a ter cheirinho de novidade. Ali, num espaço feito especialmente para elas, aprendem a transformar jornal em diablete (bastão usado em números de malabarismo), garrafas em brinquedos, latas em instrumentos musicais, materiais que seriam descartados em bonecos, imaginação em alegria. A rotina tem se repetido todas as terças e quintas-feiras, das 17h30 às 19 horas em frente ao conjunto de lojas voltadas ao público infantil na Rua Jorge Velho, esquina com a Amador Bueno (Área Central de Londrina).
Coordenadas pelo casal Rafael Torres da Silva Rosa e Dolores Araújo Bertoni, que se especializaram na arte de construir brinquedos, as oficinas pretendem ser uma alternativa para fugir da dobradinha TV/computador durante as férias. ''Trabalhar com crianças é a melhor maneira de não deixar que as brincadeiras se desfaçam com o tempo'', opina Rosa. ''O que fazemos é a arte-educação, ao mesmo tempo em que trabalhamos a consciência ecológica'', define.
A idéia das oficinas foi das proprietárias das três lojas: um brechó infantil, uma loja de brinquedos educativos e decoração, e outra, inaugurada em dezembro, de CDs e livros voltados para o mesmo público. ''Costumamos dizer que aqui a criança pode ficar vestida e informada dos pés à cabeça'', diz a jornalista Denise Gentil, proprietária da loja de CDs. Mais do que oferecer às crianças a oportunidade de participar de brincadeiras que estimulem a criativdade, a intenção, segundo ela, é aprimorar os relacionamentos.
''Definimos este horário, no final da tarde, para facilitar que os pais também venham e participem das brincadeiras'', completa Janaína Silveira, proprietária do brechó. Ela mesma estimulou o filho Luís Felipe, de nove anos, a participar da oficina. ''Eu conhecia diablete de ver as apresentações de circo, mas nunca tinha feito, por isso estou gostando'', conta o garoto. Questionado sobre a possibilidade de conseguir manipular o bastão, ele responde sem pestanejar: ''Tem que treinar e tem que acreditar''.
As oficinas são gratuitas e se estendem até o dia 3 de fevereiro. No dia 4, as organizadoras estão planejando um grito de carnaval com a participação dos outros comerciantes da rua, onde as crianças vão ter oportunidade de criar as próprias fantasias e conhecer as músicas que animavam os bailes de carnaval de seus pais e seus avós.


