Oficinas mudam a rotina no Educandário
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A rotina dos adolescentes abrigados no Centro de Sócio-Educação de Londrina, também conhecido como Educandário, teve uma mudança radical desde a reinauguração em 13 de abril. Em vez de dias inteiros trancados nas celas, os internos cumprem um rodízio de atividades pedagógicas e esportivas. Para promover uma verdadeira revolução na doutrina de atendimento, no entanto, o número de vagas foi reduzido com a mais recente reforma do prédio. Além disso, o índice de ocupação ainda está bem abaixo da nova capacidade.
Praticamente destruído por uma rebelião em dezembro, o Educandário foi palco de fugas e brigas entre os internos no ano passado. A reforma completa consumiu R$ 488 mil e reduziu o número de vagas de 80 para 61. Hoje, a unidade está com 29 adolescentes cumprindo medidas sócio-educativas. A quantidade reduzida é proposital. A administração da unidade está aceitando a entrada de cinco internos por semana. O objetivo é facilitar a ambientação dos jovens no prédio, cuja construção custou R$ 1,2 milhão. Para a manutenção, são gastos em média R$ 4,5 mil por adolescente ao mês.
A remodelação do prédio foi feita com mudanças como o fechamento da conexão entre as alas. Cada um dos quatro alojamentos é independente, com atividades pedagógicas e refeitórios próprios. ''O número menor de internos por ala facilita nosso trabalho com eles. Também podemos abrigar os menores com perfil parecido na mesma ala'', ressaltou o coordenador de oficinas Márcio Semprebom.
O resultado foi a drástica diminuição no número de incidentes. De acordo com Semprebom, o único caso registrado após a reinauguração foi um desentendimento entre educadores e três adolescentes, rapidamente controlado na semana passada. Mas a principal causa da redução, ainda de acordo com o coordenador, é a maior participação dos jovens nas oficinas. Antes da reforma, os internos permaneciam tracados nos alojamentos na maior parte do tempo. A informação foi repassada pelos próprios adolescentes. Agora, segundo eles, as atividades ocupam o dia inteiro.
Em sistema de rodízio, os jovens passam pelas oficinas de tapeçaria, origami (técnica japonesa de dobradura de papel), esportes e aulas de português, matemática e educação artística. A montagem de atividades como computação, expressão corporal e reciclagem de papel também está prevista. As atividades são promovidas das 8 às 17 horas. ''Com as oficinas durante todo o dia, todos ficam mais tranquilos'', afirmou Semprebom.
A opinião é corroborada pelos próprios adolescentes. ''Antes a gente ficava na tranca o dia inteiro. Os piá ficava muito nervoso (sic). Agora tá tudo de boa'', disse um jovem de 18 anos, detido como ''cúmplice de latrocínio.'' Internado há um ano e seis meses, ele disse que sua atividade preferida é o origami.


