''A partir da semana que vem, minha patroa terá uma nova empregada.'' Ao contrário do que parece, a diarista Eliete Rodrigues de Sene, de 33 anos, não pensa em pedir demissão. O relato dela diz respeito às descobertas que, junto com outras 12 mulheres, ela tem feito esta semana durante curso de capacitação ao trabalho oferecido pela Secretaria Municipal da Mulher.
Divididas em quatro módulos, as atividades compreendem desde noções de etiqueta, higiene pessoal e primeiros socorros até a prática de serviços de limpeza e a resposta a dúvidas trabalhistas. No comando das palestras estão advogados, enfermeiras, psicólogas e instrutores da secretaria.
Instrutora no curso, Maria Aparecida Vaz de Castro disse que o objetivo da iniciativa é não só capacitar as desempregadas como também aperfeiçoar as técnicas de trabalho daquelas que já estão na ativa. ''Antes disso, porém, a meta é resgatar a cidadania dessas mulheres.''
O curso de sete dias vai até terça-feira e está sendo realizado a pedido do Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio Palatal de Londrina e Região (Cefil). Para boa parte das pacientes ou mães de portadores que resolveu enfrentar a tarde fria e chuvosa de ontem, conhecer a necessidade de se trabalhar com registro em carteira foi o que mais valeu até agora.
''Sempre trabalhei registrada, mas hoje em dia isso é quase um milagre de se conseguir'', reclamou a empregada doméstica Idavina de Almeida Pinho, 39. Milagre esse que, para o advogado José Roberto Reale, um dos palestrantes, é na verdade direito a ser reclamado. ''A Constituição Federal de 1988 estabelece que os trabalhadores registrados têm direito a benefícios como aposentadoria, férias e auxílio-doença. Muitos patrões, infelizmente, ainda pensam que isso não passa de favor'', apontou, lembrando que ainda é ínfima a parcela dessas profissionais que busca orientação no sindicato da categoria.
''Não sabia que esses acordos eram feitos com o patrão já no primeiro dia de trabalho. Agora, muda muita coisa'', comentou a diarista Eliete. ''Renovada'' com os conhecimentos da área trabalhista, ela garantiu que o mais interessante mesmo foram as lições de etiqueta aprendidas de um simples ''Pois não?'', ao telefone, até a maneira de recepcionar um visitante na porta da casa onde se trabalha. Útil? Ela garante e dá exemplos de que sim. ''Já ensinei meu marido e meus três filhos tudo que aprendi aqui. Ou eles aprendem, ou aprendem'', brincou.

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