Oficina promove inserção de cegos
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sábado, 20 de novembro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Bolas com guizos, cordas delimitando os espaços da quadra, muitas palmas. Algum desavisado que passasse pelo ginásio poliesportivo do Centro de Educação Física (CEF) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na tarde de ontem não iria entender o que estava acontecendo. A 3 Oficina de Atividades Adaptadas para Pessoas com Deficiência Visual reuniu 22 participantes, que durante três horas fizeram coisas pouco comuns no seu dia-a-dia, como arremessos de basquete, brincadeira de bola queimada, saques de tênis e lançamento de dardo.
A oficina, coordenada pelo professor Frederico Toti da Silva, também deficiente visual, teve como orientadores alunos do 3º ano do curso de educação física da UEL, treinados para a atividade. O objetivo, segundo Silva, foi tanto qualificar os futuros profissionais para trabalhar com atividades adaptadas aos deficientes visuais como chamar a atenção destas pessoas para a possibilidade de praticarem atividades físicas. ''Cerca de 10% da população tem deficiência visual, e muitos não acreditam na própria capacidade. Quando a descobrem, se transformam'', afirma o professor, lembrando que os portadores de deficiência costumam dar mais destaque às suas incapacidades do que às suas potencialidades.
De acordo com Silva, a interação entre os que enxergam e os que não enxergam é outro ponto positivo do projeto. ''Aqui são abertas novas perspectivas, inclusive de se participar mais intensamente da vida social.'' A professora de Educação Física Especial, Alaine Capelassi, destacou a importância do contato direto dos alunos com o grupo. ''Eles estarão muito mais preparados para lidar com situações como estas na vida profissional. A educação física tem que trabalhar com a diversidade.''
Para Flávio Cordeiro, um dos participantes, as horas que passou ontem na UEL podem ser definidas como aquele tipo de atividade onde se ensina e também se aprende. Cordeiro tem 43 anos e ficou cego aos 25, vítima de glaucoma. Para se adaptar à nova vida e vencer a angústia ele resolveu não ficar parado. ''Trabalho com artesanato, aprendi a usar computador, participo de um grupo de teatro e frequento o Ilitc (Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para os Cegos). Só vou para casa, em Ibiporã (13 quilômetros a leste de Londrina) para dormir.'' Além da UEL, Ilitc e Associação de Deficientes Visuais de Londrina, Rolândia e Cambé (Adevilorc) apoiaram a oficina.


