Barista falou sobre a profissão e ensinou a extrair o café expresso
Barista falou sobre a profissão e ensinou a extrair o café expresso | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Cerca de 20 alunos da APS Down (Associação de Pais e Amigos de Portadores de Síndrome de Down) foram ao Museu Histórico Padre Carlos Weiss (centro de Londrina) na tarde de quinta-feira (24) para participar de uma oficina de extração de café. O evento faz parte da programação da 7ª edição da Semana do Café, que promove visitas monitoradas, contação de histórias, degustação de cafés especiais, momentos de extração do café e as já tradicionais oficinas de preparo da bebida.

Uma das participantes foi Amanda Pelisser, 27 anos, aluna da APS Down desde bebê. Ela visitou a plantação de café que fica em frente ao museu e disse toda orgulhosa que já conhecia as plantações do sítio do avô. "Meu avô planta e colhe café no sítio dele. Minha mãe, minha avó e meu irmão gostam de beber café. Só eu que não gosto. Prefiro suco e refrigerante, mas me interessei pela aula de como fazer café para que um dia eu possa fazer para a minha mãe. Do café eu gosto só do cheiro", admitiu.

Alunos da APS Down que se interessarem na atividade têm um exemplo no qual podem se espelhar. Em São Paulo existe a cafeteria Café Chefs Especiais, em que todos os funcionários têm Síndrome de Down e que foi criada por empresários que também possuem essa condição genética. A diretora da APS Down, Idalina Marques, destacou que o convite para participar da oficina despertou muito interesse. "Mesmo que os alunos não tenham esse hábito, as famílias têm. O café faz parte de nossa vida. Eu sou "viciada" em café e tenho essas raízes desde o tempo de meus avós. A gente tenta passar esses valores", destacou. No caso da cafeteria paulistana, Marques ressaltou que se a entidade londrinense conseguisse proporcionar isso para os alunos seria muito bom. "É uma coisa bonita de se ver", apontou.

Além de participar da oficina, estudantes tiveram a oportunidade de passear pelo museu histórico
Além de participar da oficina, estudantes tiveram a oportunidade de passear pelo museu histórico



Um dos participantes mais atentos foi Carlos Eduardo do Carmo Góes, 35, aluno da APS Down há 12 anos. "Gosto muito de café. Sempre faço lá em casa. Todos da minha família gostam de beber café. Eu, meu pai, minha mãe e minha tia", ressaltou. "Aqui aprendi como colocar o pó de café da maneira correta, como medir a água e o porquê da necessidade de esquentar o filtro antes de preparar a bebida", observou. "Eu gostei muito da aula. Achei a visita ao museu muito boa".
Além da aula, eles tiveram a oportunidade de conhecer o museu, que conta a história de Londrina.

A barista que ministrou o curso em Londrina é Cristina Rodrigues Maulaz, do O Armazém do Café. Ela afirmou que os alunos da entidade possuem plenas condições de fazer o mesmo que em São Paulo. Durante a oficina ela falou sobre a profissão do barista e como extrair o café expresso perfeito. "A aula é exatamente a mesma que eu ministro para alunos que não possuem necessidades especiais. Para mim é um desafio e faço isso com muito amor", declarou, informando que
houve uma preparação para montar a aula, com ajuda do Parque Escola Itinerante Bico Amarelo, de Londrina. "É a primeira vez que ministro a oficina para esse público."

A coordenadora do parque escola, Valéria Pellicano, foi a orientadora para adaptar a linguagem da oficina para esse público. Ela explicou que sua instituição surgiu justamente para realizar o trabalho de acessibilidade e inclusão voltado não para a pessoa com alguma necessidade, mas para a sociedade. "Fazemos isso nos eventos, nas escolas que nos convidam, nas empresas", explicou. "Nós criamos o alfabeto inclusivo para que a criança que esteja sendo alfabetizada veja a placa com a letra do alfabeto em caixa alta, com a letra cursiva e também em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e em braile", relatou.

'O café tem tudo a ver com a nossa identidade'
A diretora do Museu Histórico de Londrina, Regina Alegro, ressaltou que a Semana do Café já é um evento tradicional. "Ficamos muito felizes em acolhê-lo. São vários parceiros que realizam e o museu é o local certo para sediar o evento. Aqui a gente trabalha a nossa memória e a história de Londrina. O café tem tudo a ver com a nossa identidade e nossa memória", ressaltou. "Este ano a programação está muito interessante. Foram ampliadas as apresentações artísticas, tem uma programação para preparação para o consumo de cafés especiais, reconhecimento dos sabores e temos uma programação especial para os jovens."

Para receber a oficina para os alunos da APS Down ela explicou que houve uma preparação especial. "Foi preparado com muito carinho. Essa experiência queríamos fazer em anos anteriores. A memória é um direito de todos e nossa obrigação é facilitar o acesso e reconhecer o direito como cidadão. A gente quer compartilhar com o maior número de pessoas de Londrina e região as experiências agradáveis relacionadas à cultura do café", apontou.

SERVIÇO - A programação da Semana do Café pode ser conferida facebook.com/Museu-Histórico-de-Londrina-382821251811508/.

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