Londrina – O risco de uma epidemia de dengue em Londrina está levando a Secretaria Municipal de Saúde a investir em oficinas para confecção de armadilhas caseiras contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. Os primeiros aprendizes do experimento, conhecido também como "mosquitérica", foram 50 idosos atendidos pelo grupo de convivência da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto João Paz, na zona norte. A iniciativa deve ser estendida ainda nesta semana às unidades do Jardim Campos Verdes e dos conjuntos Maria Cecília e Aquiles Stenghel.
A zona norte de Londrina é a área da cidade com maior infestação do mosquito transmissor, 11%. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a escolha do João Paz para a primeira oficina foi feita por conta do alto índice de focos encontrados naquele bairro. De cada cem casas visitadas pelos agentes de endemias no último Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), pouco mais de 15 apresentavam criadouros do Aedes. O resultado foi um índice de 15,34% de infestação.
No município, este índice está em 10,1%, dez vezes acima do limite preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 1%.

ESTRATÉGIA

A oficina de "mosquitéricas" ocorreu pela manhã e deu uma nova utilidade para materiais que corriam o risco de ir direto para o lixo. É o caso das garrafas pet. Cortado, o fundo do recipiente recebeu alpiste e água, até ser encaixado com o "funil" que sobrou do restante da garrafa, com a ajuda de uma fita isolante.
Um microtule fixado entre a boca da garrafa e o anel do lacre impede que os ovos depositados pelo Aedes aegypti retornem ao meio externo. Assim, as larvas que se tornarem mosquito morrerão afogadas. "Como a vida do mosquito é de uma semana, em média, com esta armadilha pode reverter bastante a procriação do Aedes", destacou o instrutor da oficina, Marcell Barcheski.
Ele explicou que as armadilhas confeccionadas devem ser deixadas em locais com sombra e conter água fresca. À medida que a água vai baixando, o morador pode introduzir mais líquido na "mosquitérica". Além de alpiste, também é possível usar arroz triturado para atrair o Aedes. "É uma ambientação para que ele chegue mais próximo da armadilha", assinalou Barcheski.

DIVULGAÇÃO

Atenta às dicas do professor, a aposentada Idalina Casagrande Souza, de 65 anos, já apostava na eficiência da armadilha. "Vou fazer a experiência em casa, tomara que dê certo", comentou. A aposentada Osvaldina Campos, de 72, também considerou a oficina muito prática e uma arma a mais na luta contra o mosquito transmissor da dengue. A meta dela é divulgar o experimento para o número maior de pessoas possível. "É uma coisa muito simples de fazer, vou levar para os vizinhos e os filhos. A dengue está terrível demais, tem que cuidar", frisou.
A "mosquitérica" foi desenvolvida em 2005, pelo pesquisador Maulori Cabral, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A engenhoca é uma versão genérica de uma armadilha patenteada e comercializada com o nome de Mosquitoeira.

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