Oficial de Justiça não agiu com má-fé, diz juiz
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de abril de 1998
Edna Mendes 
O juiz Péricles Belucci Pereira, de Foz do Iguaçu, absolveu ontem o oficial de Justiça Claudio Rogério Alexandre, que havia sido denunciado pelo procurador do Estado, Paulo Gomes Júnior, de participar de esquema de recebimento de dinheiro para agilizar o andamento de processos judiciais e emissão de certidões falsas com resultados de diligências.
Belucci analisou as irregularidades cometidas nas diligências feitas por Alexandre e concluiu que o oficial não agiu com má-fé. Os outros oficiais denunciados, Mauro Junges, Luiz Carlos Barbosa e Divonsir Machado ainda não foram julgados pelo juiz.
A irregularidade cometida pelo oficial absolvido foi ter procurado uma empresa que havia mudado de local, mas que mantinha na fachada do antigo prédio o novo endereço. O oficial ignorou a informação e emitiu certidão afirmando que a empresa estava em local incerto e não sabido.
Segundo o procurador, a análise realizada pelo juiz está correta, mas Gomes continua afirmando que, principalmente, o oficial Luiz Carlos Barbosa, que confessou cobrar valores altos de advogados para realizar diligências participava do esquema de corrupção. Tenho certeza que ele é culpado. Esta história de dizer que mente compulsivamente é pura chacota. A Justiça do Paraná merece respeito, disse.
Anteontem, Barbosa declarou num documento registrado em cartório que sofre de mitomania (adoração à mentira) e por isso confessou cobrar propinas de advogados e denunciou os colegas como maus oficiais.
Na segunda-feira, o procurador Gomes Júnior será ouvido oficialmente sobre as denúncias que fez, pelo juiz Marcelo Gobbo Dalla Déa, diretor do Fórum. A audiência está marcada para as 9 horas.
Gomes está sob proteção policial desde o início da semana. Na segunda-feira, ele foi ameaçado de morte por telefone. Barbosa continua trabalhando porque é oficial concursado.


