Oficial de Justiça diz que mente muito
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quinta-feira, 16 de abril de 1998
Edna Mendes 
O oficial de Justiça Luiz Carlos Barbosa (foto), de Foz do Iguaçu, que afirmou à Procuradoria do Estado participar de um esquema de propinas para agilizar trâmites de processos judiciais, afirmou ontem, através de declaração registrada em cartório, ser um mentiroso compulsivo e que por isso fez as declarações ao promotor Paulo Gomes Júnior.
Barbosa foi denunciado pela Procuradoria no início da semana, juntamente com os oficiais Mauro Junges, Cláudio Rogério Alexandre e Divonsir Machado, por forjar certidões de resultados de diligências e cobrar valores altos, fora da tabela estipulada pela Justiça, de advogados que tinham pressa no andamento de processos. O procurador reuniu várias provas que confirmam as irregularidades cometidas pelos oficiais.
Na declaração em cartório, Barbosa diz que, no decorrer da conversa com o procurador, deu asas à imaginação e de forma inverídica e mentirosa, narrou episódios jamais acontecidos. Ele também relata no documento que enxovalhou alguns colegas, tachando-os de corruptos, irresponsáveis e outros adjetivos pejorativos, sendo tudo deslavada mentira.
No documento, o oficial afirma que sempre gostou de mentiras, buscando com elas o engrandecimento pessoal, objetivando ser uma pessoa conceituada, admirada e benquista. Ele diz que sofre de mitomania (adoração à mentira) há muitos anos, e que esse hábito já lhe causou muitos danos.
O procurador do Estado Paulo Gomes Júnior disse ontem à Folha que no momento em que o oficial confessou participar do esquema de corrupção, ele não parecia estar mentindo. Em momento algum achei que ele estava mentindo e ou contando estórias. Apenas percebi que ele era uma pessoa perigosa. Todas essas declarações dele de que mentiu não passam de estratégia de defesa, afirma. O procurador disse que três pessoas que teriam sido extorquidas estão dispostas a depor em juízo.
Desde o início da semana, Gomes está sob proteção policial. Na segunda-feira, ele foi ameaçado de morte através de seu telefone celular. Os oficiais Mauro Junges e Claudio Rogério Alexandre e Divonsir Machado foram afastados das funcões anteontem. Barbosa continua trabalhando porque é oficial concursado.


