Oficiais disputam comando nos bastidores da Polícia
Oficiais disputam comando
nos bastidores da Polícia
A polêmica compra das jaquetas da Coréia do Sul, que desagradou oficiais do alto comando, confirma a existência de uma acirrada disputa em torno do cargo de comandante geral da PM paranaense. O coronel Luiz Fernando de Lara conseguiu criar muitos desafetos de farda, que, nos bastidores, criticam sua gestão.
Os respingos do caso Joni Rodrigues, por exemplo, atingiram em cheio a imagem da corporação. Rodrigues era um estelionatário foragido da Justiça de Marília desde 1992. Ele nunca encontrou dificuldades para vender carros para policiais. Até o início deste ano tinha livre circulação dentro do quartel do comando geral, conforme mostrou a Folha numa série de reportagens em maio. O comando sempre alegou desconhecer o passado de Joni, que chegou a presentear a PM com um trator.
Este fato apenas deu discurso aos opositores de Lara. Um coronel entrevistado pela Folha revelou que há três grupos de coronéis que almejam o cargo de comandante geral. Os candidatos são: Walter Cardoso de Aguiar, que responde pelo Comando do Policiamento do Interior (CPI), Albermídio de Sá Ribas, sub-chefe do Estado Maior, e Justino Henrique de Sampaio Filho, encarregado do Comando do Policiamento da Capital (CPC).
No entanto, nenhum deles será comandante enquanto não tiver o crivo do coronel Luiz Antônio Borges Vieira, que tem grande influência junto ao governador Jaime Lerner. Ele responde pela chefia da Casa Militar no Palácio Iguaçu. O coronel Luiz Fernando de Lara é tido como integrante do grupo de Vieira. O coronel Vieira tem mais influência e poder na PM do Paraná e é o que menos se expõe, observou o coronel ouvido pela Folha. Vieira também tem seus desafetos. Segundo o coronel, que prefere ficar no anonimato, o oficial tem o costume de ajudar os amigos que possui nas promoções.
Tem muita gente que fica na fila aguardando as promoções e o coronel Vieira vai lá e tira seus amigos, que são poucos, do fundo do poço, reclamou o coronel. Luiz Antônio Borges Vieira iniciou sua carreira na PM na década de 60 como aspirante do Regimento de Cavalaria. Atingiu o auge no comando do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), em Curitiba, no início da década de 90. Ele soube aproveitar este espaço muito bem, dava muita atenção para a imprensa, relatou o coronel. A partir daí, responde pela Casa Militar desde a primeira gestão de Lerner, em 1995. (D.V.)





