Oficiais de Justiça depõem hoje
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quinta-feira, 20 de agosto de 1998
Edna Mendes 
O oficial de Justiça do Fórum de Foz do Iguaçu, Luiz Carlos Barbosa, denunciado em abril pela Procuradoria de Justiça do Estado por cometer uma série de irregularidades enquanto exercia suas funções, deve ser ouvido hoje pelo diretor do Fórum, o juiz Marcelo Gobbo Dalla Déa. A audiência pode definir a demissão do oficial.
A audiência está marcada para às 9h30. Além do oficial, serão ouvidas outras 20 pessoas, entre testemunhas de defesa e acusação, empresários, advogados, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção de Foz, Márcio Rogério de Souza e o procurador do Estado, Paulo Roberto Gomes Junior, autor das denúncias.
Barbosa é acusado pela Procuradoria de emitir certidões falsas de resultado de diligências realizadas para notificação de mandados e execuções fiscais, e ainda cobrar taxas acima da tabela estipulada pela Justiça. Segundo as denúncias, para que as ordens da Justiça fossem cumpridas com rapidez, o oficial extorquia advogados que se viam obrigados a pagar acima da tabela para que seus processos não fossem atrasados.
Na época, além de Barbosa, também foram denunciados pela Procuradoria os oficiais Mauro Jungs, Claudio Rogério Alexandre e Divonsir Machado. Um empresário, que não teve o nome divulgado, também denunciou o oficial Luiz Nei da Silva pelas mesmas irregularidades. Dos quatro oficiais, apenas Jungs e Alexandre foram exonerados.
Segundo o procurador Gomes, o oficial Divonsir Machado não foi afastado por ter bom relacionamento com o juiz Paulo Damas. Ele continua no Fórum porque é amigo do juiz, afirmou. Em abril, o oficial Barbosa chegou a registrar em cartório um documento onde afirmou que sofre de mitomania (desejo incontrolável de mentir). A estratégia era se defender das declarações que fez ao procurador, quando confessou que cobrava propina de advogados.
Foi ele também que denunciou seus colegas oficiais. Com base no documento assinado por Barbosa, ele foi afastado das funções.


