Office Boys comemoram seu dia
Michele Muller
De Curitiba
Bonés, tênis de marca e algumas espinhas no rosto. É difícil não reconhecer um office boy em fila de banco. É provável que poucos desses trabalhadores saibam disso, mas hoje sua profissão está marcada no calendário das comemorações nacionais.
É como boy que muitos adolescentes entram no mercado de trabalho. Com um salário que varia de R$ 200,00 a R$ 300,00 ajudam nas despesas de casa e aprendem a administrar o dinheiro, tendo que escolher entre uma nova calça jeans e finais de semana em bares da moda.
Vou poder comprar minha própria roupa. Logo também quero um celular, diz o boy Robson Tiago Miranda, de 15 anos, sobre o que fará com seu primeiro salário. Ele começou a trabalhar há três semanas e se diz satisfeito com a profissão.
Quando não estão no meio de longas filas ou correndo na calçada com sua pasta (às vezes estampada com emblema escolar), eles podem ser facilmente encontrados em frente a um dos jogos das barulhentas casas de fliperama. Os office boys sãoá e muitos admitem os principais clientes desses estabelecimentos.
Eu sou viciado em videogame, confessa o boy Carlos Henrique, de 17 anos. Como grande parte de seus amigos, ele concilia o trabalho com o segundo grau. É claro que preferia ficar em casa. Mas é muito bom ter seu próprio dinheiro, conta.
Com apenas três meses de experiência, ele já aprendeu alguns truques que reduzem sua jornada. Na hora de pagar as intermináveis contas de banco, ele torce para encontrar um de seus colegas na fila. Esses encontros permitem que os boy se revezem na hora do serviço: enquanto um paga a conta, o outro corre ao banco mais próximo.
Não escondo do pessoal da empresa que jogo às vezes, quando o expediente está adiantado. É bom porque me deixa com mais vontade de trabalhar depois. Acaba com o tédio da profissão, que exige que você vá sempre aos mesmos lugaress, diz Carlos.





