Oferta de pilotos não acompanha aumento da frota de aviões
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sábado, 21 de julho de 2007
Agência Estado 
As deficiências em infra-estrutura no setor, em contraste com o crescimento de dois dígitos nos passageiros transportados, trazem mais um desafio para as companhias aéreas: especialistas temem a falta de pilotos já em 2008. O número de profissionais formados a cada ano não atende à necessidade de mão-de-obra.
A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, lembra que só neste ano as principais empresas aéreas nacionais devem acrescentar 34 aeronaves às frotas. Segundo ela, de julho do ano passado até o fim de março deste ano, em torno de 2.500 aeronautas (pilotos e comissários) entraram no mercado. Outros 2.700 profissionais deverão ser contratados até dezembro. Graziella, no entanto, estima que são formados apenas 150 pilotos anualmente. A média salarial de um comandante de grande companhia é de R$ 7 mil.
''Acredito que vai haver falta de pilotos'', diz o diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Elones Fernando Ribeiro. ''Se o crescimento da demanda do setor aéreo se mantiver em 15% ou 20% ao ano, logo, logo teremos problemas de mão-de-obra'', completa o coordenador do Núcleo de Estudos em Competição e Regulação do Setor Aéreo (Nectar), Alessandro Oliveira.
Ribeiro diz que algumas companhias estudam reduzir a exigência de horas voadas para o piloto poder trabalhar. Na Europa, o especialista lembra que essa diminuição da exigência de horas voadas já foi implementada. O professor da PUC-RS comenta que na TAM, por exemplo, pede-se 1.500 horas voadas, enquanto na Gol a exigência é de mil horas voadas.
''Menos horas voadas não significa menos experiência. Tem muita gente que fala que tem 2 mil horas voadas, mas foram acumuladas em aviões pequenos e monomotores'', afirma Ribeiro. Ele lembra que os atuais aviões requerem muito mais conhecimento tecnológico. ''Hoje tem de saber gerenciar o equipamento de bordo.''
O sindicato defende a criação de universidades públicas para pilotos. De acordo com Graziella, o governo já analisa projetos nesse sentido, como o de um convênio com faculdades privadas, por meio do qual o Estado bancaria parte dos custos.
Essas seriam algumas das alternativas para aumentar o número de pilotos formados a cada ano, pois o custo, para Graziella, é proibitivo. Ela estima que os gastos totais para a formação podem chegar a R$ 200 mil, considerando 200 a 300 horas de experiência. No Centro de Treinamento de Operações da Varig, cada hora de treinamento em simulador de vôo de grande porte pode custar até US$ 450.
Genebra - A América Latina é a região que menos investe em aeroportos no mundo - destina menos recursos ao setor aéreo que a África. A constatação faz parte de um estudo do Conselho Internacional de Aeroportos, com sede em Genebra, e que reúne 95% dos aeroportos mundiais.
Segundo o levantamento obtido pela reportagem, os países latino-americanos investiram US$ 1,2 bilhão em 2006 em aeroportos, ante mais de US$ 3,6 bilhões na África e quase US$ 17 bilhões no Canadá e nos Estados Unidos. Na Europa, os investimentos chegaram a US$ 13 bilhões no ano passado. No mundo, US$ 38 bilhões foram destinados a melhorias em infra-estrutura em aeroportos.
Segundo o levantamento, países como China, Índia e África do Sul estão destinando importantes recursos ao setor. Na China, um dos motivos é a previsão de turistas em 2008 nos Jogos Olímpicos de Pequim. Na África do Sul, foi a Copa do Mundo de 2010 que impulsionou os investimentos.
De acordo com o levantamento, os países emergentes devem ter um aumento de 100% no fluxo de passageiros nos próximos 15 anos e precisam se preparar já para evitar problemas no futuro próximo.


