Edson MazzetoA Polícia Civil de Cascavel tem apenas 26 investigadores para uma população de 219 mil habitantesCascavel tem um investigador de Polícia para cada 8,4 mil habitantes. A relação é desproporcional a de outros municípios do interior de igual porte. O efetivo é menor que o do início dos anos 80, embora a população, naquela época, fosse inferior. A situação, apontada como crítica e até mesmo discriminatória, está motivando mobilização de autoridades locais, do Conselho Comunitário de Segurança e outras entidades.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB) está em Curitiba discutindo a questão com o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, e o deputado estadual Edgar Bueno (PDT) anuncia que deve se pronunciar formalmente na Assembléia nos próximos dias, na condição de vice-líder do governo. O Conselho Comunitário e a Associação Comercial e Industrial também já se manifestaram a respeito, inclusive através de ofícios, pedindo reforço do quadro da 15ª Subdivisão Policial (15ª SDP).
Segundo o setor de Recursos Humanos do Departamento da Polícia Civil da Secretaria de Segurança, em Foz do Iguaçu, com população de 231.596 habitantes (Censo IBGE/96), há 83 investigadores. A relação é de um policial para 2,8 mil habitantes. Em Ponta Grossa (252.674 habitantes), são 38 investigadores - um para cada 6,6 mil moradores. Em Maringá (267.878 habitantes), onde há 50 investigadores, a relação de um por 5,3 mil. Londrina (412.894) tem 67 investigadores: um para cada 6,1 mil habitantes.
Em Cascavel, com 219.623 mil habitantes, são apenas 26 investigadores. Também é grande a desproporção no número de delegados (6) e escrivões (10) e peritos (8). Dos peritos, que atendem 80 municípios da região, apenas dois permanecem efetivamente em Cascavel, e os demais, de Curitiba, se revezam no trabalho. O minipresídio, onde nos anos 80 havia 80 presos, permanece até hoje apenas um carcereiro para 200 presos. Na Delegacia da Mulher, só há a delegada. O superintendente da 15ª SDP, Manoel Pedro dos Santos, argumenta que há necessidade de pelo menos mais 25 investigadores, seis escrivões e três delegados.
O delegado Osnildo Carneiro Lemos, titular da subdivisão, diz que parte considerável do efetivo é desviada da investigação para cuidar de outras tarefas.
A 15ª SDP tem jurisdição sobre 32 municípios da região Oeste, dos quais nove são sedes de comarca, e, na maioria deles, a situação é ainda mais crítica que em Cascavel. Em Assis Chateaubriand (35.620 habitantes), a Polícia Civil não tem investigador, escrivão ou delegado titular. Em Guaraniaçu (19.610), só um escrivão também responde como delegado. Em Corbélia (15.860) falta investigador. Em Capitão Leônidas Marques (15.750) não existe escrivão.
Em Formosa do Oeste (9.690 habitantes) só há o delegado. Em Catanduvas (10.290), o delegado é o mesmo de um dos dois únicos distritos policiais de Cascavel.

mockup