Oeste mantém alerta contra despejos
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
Paulo Pegoraro Enviado a Três Barras do Paraná e Agência Estado 
A Polícia Militar (PM) cumpriu no início da manhã de ontem ordem judicial de reintegração de posse, despejando 25 famílias sem-terra que ocupavam uma fazenda no município de Três Barras do Paraná (85 quilômetros ao sul de Cascavel). A ação deixa em alerta os vários acampamentos de sem-terra do Oeste/Sudoeste do estado, que estão na fila para despejo. Foram mobilizados policiais de quase todas as regiões do Estado e eles ainda não haviam retornado para suas unidades até a noite de ontem.
A área desocupada, de aproximadamente 375 hectares, havia sido invadida há dois anos pelas famílias, que não têm ligação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A empresa proprietária, a madeireira Procopiak (de Canoinhas-SC), obteve a reintegração de posse em junho do ano passado. Os policiais realizaram uma operação sem violência física contra os sem-terra, mas sob frio de 5 graus centígrados e lama intransponível em alguns trechos, por causa das chuvas. A área é acidentada e barracos e ranchos estavam em pontos muito afastados uns dos outros, com acesso por carreadores.
Foram despejadas aproximadamente 100 pessoas. A PM usou 230 homens. O major Avelino Novakoski, do 6º BPM de Cascavel, que comandou a ação, disse que o uso de grande efetivo evita previamente uma possível reação dos despejados. Ao final das contas, isso significa evitar a violência, que é o que todos queremos. Não houve prisão, nenhuma arma de fogo foi encontrada, e alguns dos despejados disseram apenas que a lona de seus barracos foi rasgada pelas autoridades.
Havia apenas seis ranchos no local, todos de chão batido, com camas (trapiches) feitas de galhos de árvores. Os despejados tiveram muitas dificuldades para retirar suas tralhas e animais, por causa das péssimas condições do tempo, e só no final da tarde a tarefa foi completada. Eles e seus pertences foram levados em caminhões para pontos distintos do próprio município.
Em Brasília, uma reunião de quase quatro horas marcou ontem o reinício das negociações entre o governo federal e o MST. O governo deverá atender a uma parcela das reivindicações do movimento, que pede melhores condições de habitação, saúde, alimentação e crédito para a reforma agrária. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que participou do encontro, anunciou que na próxima semana 10 ministros vão se reunir para analisar o Orçamento da União, com o objetivo de melhorar as condições dos programas ligados à reforma agrária. O governo vai dar uma resposta ao MST dia 30.
Os contatos oficiais entre os dois lados haviam sido interrompidos em agosto do ano passado, quando se discutiam questões técnicas em Brasília. O encontro de ontem ocorreu na sede da Conferência Nacional dos Bipos do Brasil (CNBB), que vem mediando as negociações, mas não contou com a presença dos principais líderes do movimento, como João Pedro Stedile e Gilmar Mauro. O ministro da Justiça, José Gregori, também participou.


