Foi inaugurado no início da noite de ontem em Cascavel o Parque Tecnológico Agroindustrial do Oeste, que disseminará tecnologias de processamento de matérias-primas, desenvolvimento de novos produtos, qualificação de mão-de-obra e até mesmo controle de qualidade, exigido especialmente para exportações. O parque é o primeiro do gênero na América Latina - há outros em áreas diferentes, como Informática, e um dos maiores está localizado em Florianópolis (SC).
O Oeste paranaense tenta superar a segunda etapa de seu processo econômico, iniciada há menos de meio século com o extrativismo e substituído a partir dos anos 60 pela produção primária (agricultura). Para isso, o Parque Tecnológico deve dar grande contribuição.
O projeto foi desenvolvido pela Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), e a ele serão agregadas a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e outras entidades de pesquisa e geração de tecnologias. ‘‘Além da iniciativa privada, que absorverá diretamente os resultados’’, observa o presidente da Fundetec, químico Mário Bracht.
Foram investidos no empreendimento cerca de R$ 2,5 milhões, em parceria entre Estado e Município. Mais R$ 7,5 milhões estão sendo negociados junto ao Estado, governo federal e Banco Mundial para completar a estrutura. O parque está localizado a 20 quilômetros da cidade, ao lado da BR-277 e em frente ao Terminal da Ferrovia Paraná Oeste (Ferroeste).
A localização é estratégica, por causa do atrativo oferecido pelo sistema intermodal de transporte (rodovia-ferrovia), que pode estimular a implantação de unidades industriais nas proximidades. A área construída do parque tem 3,7 mil metros quadrados, com centro administrativo, laboratórios de controle e desenvolvimento de produtos e processos nas áreas de patologia animal e físico-química, duas incubadoras para empresas de base tecnológica com motores de grande capacidade e água, vapor e ar comprimidos, auditório com 250 poltronas, salas de treinamento, palestras e reunião com 110 lugares, bibliotecas, alojamento para 40 pessoas e refeitório com cozinha industrial.
A estrutura está situada na ponta de uma área de 242 hectares, que permitirá a implantação, inicialmente com mais dez incubadoras tecnológicas, de oficinas de apoio e treinamento e laboratório de insumos e processos agroindustriais. O governo do Estado já garantiu mais R$ 1,3 milhão para esta finalidade.
O prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB) considera o Parque Tecnológico ‘‘a obra mais importante da história de Cascavel’’, pelos reflexos que terá ‘‘na inserção do Oeste paranaense nos tempos modernos da economia e da tecnologia’’. Segundo Mário Bracht, há no mundo cerca de 200 estruturas semelhantes, mas nenhuma na América Latina.
O presidente da Fundetec relata que os parques tecnológicos surgiram principalmente para pesquisas na eletro-eletrônica, abrangendo depois outros setores. ‘‘Os asiáticos tiraram grande proveito destas estruturas, e conseguiram rápido desenvolvimento de suas indústrias’’, relata. A fundação quer complementar o Parque com uma ‘‘vitrine tecnológica’’, na qual serão exibidos equipamentos e projetos.
O parque também dará importante contribuição na área de controle de qualidade. Atualmente, indústrias da região recorrem a laboratórios de outros centros do País, para obter certificados que viabilizam exportações. Mário Bracht relata que o Parque cobrará por este tipo de serviço para ser auto-sustentável.

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