Três apreensões de drogas realizadas entre anteontem e ontem por forças policiais federais em Cascavel reforçam a tese de que a região Oeste do Estado é uma das principais rotas usadas por traficantes de maconha para distribuir o entorpecente no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Outra importante porta de entrada usada pelas quadrilhas é o Mato Grosso do Sul. Para dificultar as investigações e a prisão dos ''donos'' dos carregamentos, o negócio é dividido em etapas.
Na noite de anteontem, agentes federais apreenderam 405 kg de maconha e um kg de haxixe na BR-277, em Santa Tereza do Oeste. O carregamento era transportado por um caminhão e a droga estava escondida dentro de sofás. O motorista, um paranaense de 65 anos, foi preso em flagrante e declarou ter sido contratado para transportar a droga até Cascavel.
Ontem pela manhã, equipes das Rotans que prestam apoio na Operação ''Foz Segura'' realizaram outra apreensão na BR-369, em Mamborê. Um homem de 30 anos foi flagrado transportando 2,3 kg de crack nas laterais das portas de um Corsa com placas de Cascavel. Segundo o rapaz, a droga deveria ser levada até Londrina. Apenas na área da 3 Companhia de Polícia Rodoviária, foram apreendidas este ano 14.160 pedras de crack (com um quilo é possível fazer até 3 mil pedras de crack).
Já na BR-163, as polícias Federal e Militar apreenderam mais 69,5 kg de maconha durante operação realizada em cidades das regiões Oeste e Sudoeste. A droga estava em um Escort e deveria ser levada até o litoral catarinense. Um casal e um adolescente foram presos.
O delegado da PF em Cascavel, Guilherme Biagi, destacou que a região é a porta principal para entrada de maconha hoje no País, juntamente com a região centro-oeste. ''O Paraguai é o maior produtor da droga e o Brasil, o maior consumidor. Esse entorpecente tem que entrar por algum lugar. Entra muito pelo Mato Grosso do Sul e entra muito por aqui'', comentou. Somente no início do ano, autoridades paraguaias queimaram 150 toneladas de maconha o que, segundo o delegado, é mais do que o total apreendido durante todo o ano passado no Brasil.
De acordo com ele, os atrativos da região Oeste paranaense para os traficantes são o Lago de Itaipu e a diversificada malha rodoviária. ''O lago é o grande cartão de visitas para o tráfico'', completou Biagi. Para usar rotas diferentes e dificultar a atuação policial, as quadrilhas contratam ''laranjas'' na região que desconhecem a rede que organiza o crime. ''Cada peça só sabe a parte que cabe a ela fazer mas ninguém trabalha sozinho. Temos diversas quadrilhas que atuam na região especializadas apenas pelo transporte'', apontou o delegado.
Biagi afirmou que as polícias têm atuação maciça contra o tráfico mas analisou que as quadrilhas alteram suas operações com frequência. ''O crime é dinâmico e quando apertamos em um ponto eles migram para outros'', concluiu.

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