OEA apura assassinato de sem-terra
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quinta-feira, 03 de agosto de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) abriu um processo para apurar o assassinato de um sem-terra em Marilena (79 km a Noroeste de Paranavaí) em fevereiro de 1998. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, enviou um dossiê sobre o caso à OEA. A CPT reclama da morosidade das investigações sobre a morte do agricultor Sebastião Camargo Filho, 65 anos. Ele foi morto por uma milícia armada que entrou no acampamento da fazenda Boa Sorte para expulsar as 40 famílias que ocupavam a área.
Por meio da assessoria de imprensa, o secretário de Segurança Pública, José Tavares, negou que o caso esteja parado. Ele disse que o Ministério Público de Nova Londrina vai oferecer denúncia na Justiça contra os acusados de formar o bando, composto por 30 homens armados.
Camargo Filho foi morto sem esboçar reação, segundo a Comissão Pastoral da Terra. Como sofria de um problema na coluna, o agricultor não conseguiu deitar no chão, como os pistoleiros mandaram, e levou um tiro de espingarda calibre 12 na nuca.
A advogado Tereza Cofré, que representa os sem-terra, disse que a petição enviada à OEA pede a punição dos culpados e indenização do governo brasileiro para os familiares da vítima. A execução do trabalhador não deve ser considerada como um caso isolado de violência no campo, mas como uma constante violação dos direitos humanos estabelecida no Paraná, declarou a advogada. Tereza relatou que a então superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira, comunicou o comando de um batalhão da Polícia Militar, na Região de Paranavaí, sobre a movimentação das milícias.
Apesar disso, ninguém fez nada para evitar que as milícias agissem impunente, afirmou Tereza. No dia seguinte à morte de Camargo Filho, sete homens foram presos e acusados de participar do despejo. Eles estavam na fazenda Figueira, no município de Guairaça, onde munição, armas e capuzes foram apreendidos pela polícia. Os sete acusados ficaram presos por 35 dias.


