O dentista tem que se preocupar com a saúde integral do paciente e não apenas com a sua boca. A opinião é do professor Stephen Goepferd, diretor dos departamentos de Odontopediatria e de Pediatria e da Divisão de Problemas do Desenvolvimento da Faculdade de Odontologia da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Goepferd participou do 2º Encontro Nacional de Odontologia para Bebês, realizado em Londrina na semana passada.
Na quarta-feira, o especialista norte-americano ministrou curso sobre ‘‘Emergências Médicas em Odontopediatria para Bebês e Cuidados Odontológicos com Recém-Nascidos’’. Em entrevista à Folha, Goepferd explicou que emergências médicas em odontopediatria não se limitam a casos de acidentes com trauma. Todo caso em que o paciente exige cuidados especiais é considerado emergência.
‘‘A emergência vai desde um procedimento que exige anestesia local até o tratamento dentário de paciente cardíaco ou com alguma enfermidade importante, como obstrução das vias respiratórias.’’ Ele ressalta que os pais devem informar o dentista sobre as condições de saúde da criança.
Lembrando que muitas vezes os pais acham que dentista não é médico e por isso não precisa de certas informações sobre o paciente, Goepferd destaca que essa situação pode provocar uma emergência. ‘‘Há riscos de ocorrer problemas durante um procedimento e o dentista ter dificuldades para resolvê-los porque ignora o problema do paciente.’’
O especialista norte-americano destaca também as emergências com bebês especiais (portadores de algum tipo de deficiência ou de qualquer enfermidade sistêmica). De acordo com o professor da Universidade de Iowa, os bebês especiais exigem procedimentos e equipamentos também especiais. ‘‘Se uma simples cárie numa criança normal representa um problema, numa criança especial esse problema é elevado à terceira potência’’, alerta.
Outra emergência médica em odontopediatria destacada por Stephen Goepferd é o tratamento de crianças prematuras. ‘‘Normalmente as crianças prematuras recebem tubos, que podem provocar deformações no céu da boca e também na formação dos dentes.’’
Para evitar essas alterações, o especialista recomenda que o dentista acompanhe o bebê ainda no hospital. ‘‘O principal cuidado que o dentista deve ter é providenciar uma chapa para proteger o palato do bebê e evitar deformações do céu da boca e dos dentes da criança.’’ Para ele, o profissional bem preparado e as novas tecnologias permitem o tratamento adequado e até a sobrevivência de crianças especiais ou prematuras.

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