Ocupações no Extremo-Oeste extrapolam aspecto fundiário
Ney de SouzaAcampamento de sem-terra na CNEC, em São Miguel do IguaçuA questão das invasões de propriedades coordenadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Extremo-Oeste do Estado tem características que extrapolam o aspecto fundiário. Das duas principais áreas invadidas na região, uma está sob intervenção do Banco Central e a outra pertence a uma entidade filantrópica.
A Fazenda Mitacoré, localizada no município de São Miguel do Iguaçu, a 45 quilômetros de Foz do Iguaçu, está ocupada por cerca de 230 famílias de sem-terra desde o dia 6 de agosto do ano passado. Com 1.098 hectares, a propriedade pertencia ao grupo Bamerindus, holding que está sob intervenção do Banco Central desde março do ano passado.
A Mitacoré era considerada uma fazenda modelo em produtividade e adoção de tecnologia. Com a invasão, todas as pesquisas que vinham sendo feitas no local por instituições públicas e empresas privadas foram suspensas. Nos últimos dias, o acampamento foi reforçado pela chegada de brasiguaios (brasileiros que emigraram para o Paraguai).
Ney de SouzaÁrea ocupada na Fazenda Mitacoré, de 1.098 hectares, em São Miguel do Iguaçu: 230 famílias de sem-terraEm 7 de outubro do ano passado, o juiz da Vara Cível de São Miguel do Iguaçu, Elias Duarte Rezende, concedeu reintegração de posse em favor da diretoria interventora do Banco Central no Bamerindus. Até a última sexta-feira, a ordem judicial ainda não havia sido cumprida.
Outro foco de tensão gerado por sem-terra na região é a ocupação dos 14,5 hectares pertencentes à Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), também no município de São Miguel do Iguaçu. Desde o dia 21 de junho, a área está ocupada por 320 famílias de brasiguaios.
Segundo a advogada da CNEC no Paraná, Auricéia Medeiros, os sem-terra invadiram as 21 casas da entidade, que mantém no local um centro de formação de professores e alunos. A CNEC é uma instituição filantrópica que mantém cerca de 500 escolas no Brasil. Juntas, elas atendem 15 mil estudantes do pré-escolar até a faculdade. No Estado, são 21 escolas, com 500 alunos.
A advogada disse que todas as atividades previstas para acontecer no local durante julho - mês de férias escolares - tiveram que ser canceladas. Precisamos dessa área, porque é nosso local de trabalho, afirma a advogada. Ordem judicial de despejo, expedida pelo juiz Elias Duarte Rezende no último dia 1º, também não foi cumprida. (V.D.)





