Ocupação já tem 280 famílias
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
Célia Guerra 
Em apenas três dias dobrou o número de famílias que montavam barracos no terreno do Jardim São Jorge, ao lado do assentamento São Jorge, zona norte de Londrina, ocupado na madrugada de 7 de setembro. Segundo um sem-teto, que trabalhava no local, cerca de 280 famílias já tomaram posse dos lotes. O presidente da Federação dos Assentamentos e Sem-Teto, José Ricardo da Silva, não confirmou o número, mas admitiu que ele é crescente ''pela quantidade de carros, carrinhos e carroças'' que chegam ao local carregados de materiais.
A Federação pretende retomar hoje o cadastramento social das famílias (nome, idade, endereço anterior e emprego), iniciado ontem e paralisado por falta de formulários adequados às informações que se pretendia levantar. José Ricardo disse que somente com o número oficial de pessoas a Federação poderia tomar qualquer atitude em favor dos invasores. Ele destacou que a pesquisa atingiria apenas os barracos já ocupados.
Já o representante da proprietária do terreno, o empresário Tony Karan, afirmou que entra hoje com o pedido de reintegração de posse. Ontem ele esperava que algum representante do poder público apresentasse alguma proposta de negociação da área.
Para o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Carlos Eduardo Afonseca e Silva, o proprietário do terreno é que deveria iniciar a conversa. Ele admitiu que a companhia não possui recursos para a compra de áreas mas poderia estudar formas de viabilizar a negociação.
A ocupação no Jardim São Jorge é a terceira que ocorre em Londrina este ano. Os feriados prolongados são períodos considerados mais propícios, pois dá tempo para que as famílias se instalem sem que o proprietário entre com medidas judiciais. No feriado do Dia do Trabalho, 105 famílias ocuparam uma região de fundo de vale no Jardim Marieta, também na zona norte. No final de julho outra área, na região sul, pertencente a uma loteadora, foi ocupada por mais de 40 famílias.
Tanto o presidente da Cohab quanto o presidente da Federação creditam a culpa das invasões à situação econômica do País e à falta de moradias. José Ricardo afirma que cerca de 7 mil famílias vivem em situação irregular na cidade. Ele lembra que alguns assentamentos como o São Jorge, João Turquino (zona oeste) e parte do Jardim Maracanã (também na zona oeste), tiveram áreas invadidas regularizadas. A Cohab, continua Afonseca, comprou os terrenos que foram financiados pelas famílias em 170 parcelas mensais variando de R$ 12,50 a R$ 16,50.


