Maria da Conceição dos Santos, 71 anos, pagou R$ 500,00 a um antigo morador pelo ‘‘direito’’ a um cômodo de um barracão no Jardim Pindorama (Zona Leste de Londrina). Ela é uma das quatro famílias que ocupam irregularmente a área, reivindicada pela Associação de Moradores do bairro. Desde julho do ano passado, a entidade tenta negociar junto à Cohab a desocupação do barracão, onde pretende construir a nova sede.
  O presidente da associação, Alexandre Colognhezi, não sabe determinar a data da chegada da primeira família. Mas, com certeza, Maria da Conceição é a mais nova ocupante. Ela se considera feliz com a nova casa onde mora com um filho que sofre de epilepsia e não trabalha. A única renda da família é a pensão que ela recebe do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A pensionista conta que fez uma limpeza no local tirando mais de 15 carroças de lixo. ‘‘Eu pintei o chão, passei cal nas paredes, e mesmo com o banheiro sem descarga a gente mora bem. Aqui não tem goteira’’, comemora.
  Maria da Conceição sabe que o ‘‘contrato de compra’’, não lhe dá nenhum direito mas não teme. ‘‘Não vão me jogar na rua; esperamos que nos dêem uma casa melhor’’, confessa.
  A vizinha de fundos, Valdineia Ribeiro Moraes, 21 anos, está no imóvel há sete meses, com duas filha menores de 3 e 2 anos. Desempregada, ela morava em uma casa próxima ao barracão e resolveu ocupar o cômodo por não ter mais condições de pagar aluguel.
  A dona-de-casa Ivanilde Araripe de Oliveira, 38 anos, mora há três anos em um dos cômodos do imóvel, com o marido e quatro filhos pequenos. Ela está cadastrada na Cohab, mas reclama que não tem condições de pagar as prestações das casas construídas pela companhia. ‘‘As prestações são de casa de rico.’’
  Ontem, Colognhezi se reuniu com o presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, em mais uma tentativa de arrumar um lugar para as famílias. Segundo ele, o presidente da companhia se comprometeu em enviar um engenheiro para avaliar as condições do imóvel. ‘‘Vamos acompanhar o trabalho da Cohab e esperamos em breve protocolarmos o projeto do novo centro comunitário’’, informa. A entidade, segundo ele, tem diversos planos de atividades educativas e recreativas além de programas de geração de renda.
  O presidente da Cohab disse que uma assistente social já esteve no imóvel e confirmou a precariedade do lugar. Ele pretendia agendar para hoje a visita do engenheiro. Na seqüência, segundo ele, será feito o cadastramento das novas famílias, mas não determinou datas para a retirada delas. ‘‘Temos uma política de intervenção que determina não retirarmos famílias enquanto não tivermos locais adequados para elas’’. Ele destacou que a cidade enfrenta uma ‘‘grande demanda habitacional’’.
  Ainda segundo o presidente, a companhia possui áreas em quase todas as regiões da cidade, menos no Centro. ‘‘A área central é a preferência de todos, mas é uma região densa e de terrenos muito caros’’, justificou.
  Sobre o comércio irregular, Afosenca frisa que a Cohab não autoriza nenhum tipo de negócio envolvendo suas propriedades mas admite que tais operações ocorrem com frequência. ‘‘O local é invadido, é a mesma coisa que comprar área em fundo de vale, as pessoas dão um dinheiro que não deveriam dar já não há propriedade desses imóveis’’, afirma. A orientação da Cohab é que antes de fechar negócio, os interessados procurem a companhia para consulta da situação do imóvel. (Colaborou Adriana Savicki)

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