Ocultação das híades pode ser vista domingo
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Anna Camanducaia 
Quem gosta de observar o céu terá motivo especial neste domingo. Das 18h30 às 20 horas, será possível ver, no Oeste, a lua encobrindo parte do aglomerado de estrelas, chamado híades. O fenômeno é chamado de ocultação das híades. Mas ele não vem sozinho. Logo abaixo, poderá ser visto o planeta Vênus e um conjunto de sete estrelas azuis, a plêiades. Tudo isso vai poder ser observado a olho nu ou com um pequeno binóculo. O ideal é procurar o conjunto num lugar escuro, sem luz artificial por perto.
No domingo, a lua vai ser um pequeno filete envolvendo as híades. Vênus também torna o espetáculo bonito porque, depois do sol e da lua, é o astro mais iluminado do sistema. Perto da lua também vai haver uma estrela bem vermelha chamada Aldebaran, que para os antigos era o olho da constelação de Touro.
Para o astrônomo Germano Bruno Afonso, da Universidade Federal do Paraná, o fenômeno também tem importância didática e histórica. Para os índios brasileiros, por exemplo, a Lua servia para calendário e orientação; Vênus também tinha função de orientação; o aparecimento das híades indicava período de chuvas e o desaparecimento das plêiades, o início do inverno.
O primeiro dia da Lua crescente significava para os índios o primeiro dia do mês.
O fenômeno de um astro cobrir outro também intrigava os antigos. Para eles, esse acontecimento era tão interessante que o registravam em pinturas rupestres, afirmou Afonso. O fenômeno também podia ser interpretado como mau sinal.
Afonso está terminando de escrever um livro sobre Astronomia Indígena, que fala sobre o aspecto de observação do céu pelos índios brasileiros.
Depois do fenômeno, as plêiades não poderão mais ser vistas no céu. A partir do dia 15 de julho, elas podem ser vistas novamente, mas apenas de madrugada. É só no dia 15 de novembro que elas voltam a aparecer ao entardecer. As híades devem deixar de ser vistas no dia 1º de maio. No dia 1º de julho, elas poderão ser vistas de madrugada e, a partir de 25 de novembro, ao entardecer.


