Arquivo FolhaXerifeReinaldo Hamilton Machado, comandante de policiamento da capital: aumento do número de ocorrências seria resultado da maior atuação dos policiais e do aumento da quantidade pessoas que vêm à Curitiba em busca de emprego. Tempo de atendimento das ocorrências diminuiu de uma hora para 45 minutos, mas ele aponta a necessidade dobrar o número de policiais militaresO número de ocorrências policiais na Região Metropolitana de Curitiba cresceu 56% nos primeiros dois meses do ano sobre o mesmo período de 1997. Segundo o Comando de Policiamento da Capital (CPC), em janeiro e fevereiro foram registradas 17.250 ocorrências, contra 26.993 registros policiais nos dois primeiros meses de 1997.
De acordo com o comandante de policiamento da capital, Reinaldo Hamilton Machado, o aumento do número de ocorrências teria dois motivos: a maior atuação dos policiais e o aumento das pessoas que vêm à Curitiba em busca de emprego.
Segundo o comandante Reinaldo Hamilton Machado, com a intensificação do trabalho preventivo, o tempo de atendimento das chamadas diminuiu de uma hora para 45 minutos. ‘‘Os policiais têm conseguido chegar em tempo para atender todas as chamadas feitas ao Comando de Policiamento da Capital’’, diz Machado.
Mas este atendimento, na visão do comandante, poderia ser ampliado. No ano passado, de 260 mil chamadas, os policiais só puderam atender 126 mil. ‘‘Há uma seleção prévia das ligações, mas também existe a necessidade dobrar o efetivo’’, comenta. Com 2.500 policiais para os 25 municípios da Região Metropolitana, a relação é de um guarda para cada mil habitantes. Diariamente, o CPC atende entre 500 a 600 ocorrências.
Arquivo FolhaOliveira: ‘‘Falta de política social incita estes conflitos’’
O comandante avalia que o aumento da criminalidade vem crescendo com a leva de migrantes que chega à cidade. ‘‘A vinda de novas fábricas para o Paraná tem sido positiva, mas também traz um ônus, com a chegada de pessoas sem qualificação para os cargos que estão sendo criados’’, comenta.
Para o coordenador geral do grupo Tortura Nunca Mais, Antônio Narciso Pires de Oliveira, os índices da polícia precisam ser lidos com maior profundidade. ‘‘A falta de uma política social mais bem elaborada, que atenda o problema da miséria rural e urbana é o que incita estes conflitos’’, analisa. Oliveira critica a postura do Poder Executivo no Paraná, que priorizaria o setor econômico privado em detrimento de ações sociais. ‘‘O que se investiria em reforma agrária ou em programas de alfabetização seria menos do que foi aplicado nos bancos que faliram nos últimos anos’’, analisa.

mockup