Ociosidade atinge um terço dos idosos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de outubro de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de um terço das pessoas com 60 anos de idade ou mais, em Curitiba, não tem uma ocupação. O fato se reflete diretamente na qualidade de vida dessa população e nas políticas públicas direcionadas a essa faixa etária. Cerca de 46,8 mil idosos, de uma população de 133.619, não têm nenhum tipo de atividade.
Essa foi uma das conclusões do estudo sobre as condições de vida do idoso na cidade, realizado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Foram entrevistados 2.622 idosos em 13 unidades de saúde da Capital.
Para a coordenadora do estudo, a assistente social e gerontóloga, Maria de Fátima Paiva, o idoso ocioso tem maior tendência em adoecer. Como a maioria deles (63%) depende do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível direcionar as políticas públicas para viabilizar ações preventivas de combate ao sedentarismo do idoso.
A pesquisa apontou também a feminização do envelhecimento, tendência que se repete no mundo inteiro. Quase 60% da população idosa de Curitiba (87.503 pessoas) são mulheres. Segundo Maria de Fátima, isso é resultado de maior cuidado com a saúde e maior envolvimento em alguma atividade. ''O homem fica menos produtivo, enquanto a mulher, quando se aposenta, mantém uma jornada de trabalho doméstico'', afirmou.
O estudo apontou ainda que, na década de 1970, havia um idoso para sete jovens. Em 2005, a proporção era de um para três. O aumento da população de idosos obriga o poder público a reavaliar suas ações.
De acordo com os pesquisadores, ''os custos das demandas da população não são equivalentes'': os jovens demandam gastos em edução e saúde; em idade ativa, o desafio é a criação e geração de emprego e renda e melhoria da educação e os idosos apresentam demandas sobre saúde, previdência e assistência social.


