O conceito de atendimento rápido na Receita Federal, em Curitiba, é algo que não existe. Os contribuintes chegam a ficar pelo menos duas horas na fila para conseguir informações ou documentos. O tempo de espera é o equivalente à duração de uma viagem de 150 quilômetros entre a capital paranaense e o município de Irati. A demora levou o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná a pedir mais empenho dos servidores federais.
‘‘O nosso convencimento é de que o que está faltando mesmo é vontade de trabalhar’’, dispara o presidente do Conselho Regional dos Contabilistas, Antônio Carlos Dóro. O dirigente da categoria lembra que já fez três reuniões com representantes da receita neste ano, mas nada de concreto foi feito para atender ao apelo.
Mauro FrassonA professora Aparecida de Lima chegou à Receita às 7h30 de ontem para obter um documento, e às 11h15 ainda não tinha qualquer expectativa de ser atendidaDóro acredita que os mais prejudicados são os contabilistas que precisam retirar documentos e informações diariamente na Central de Atendimento ao Contribuinte (CAC), localizado no prédio do Ministério da Fazenda, na Avenida Marechal Deodoro, no centro da cidade. Cerca de 1.300 pessoas são atendidas por dia na CAC.
Não é raro encontrar pessoas que chegam antes do expediente começar para garantir uma senha de atendimento. Foi o que aconteceu com a professora Aparecida de Lima, 45 anos, que estava na CAC por volta das 7h30 de ontem para obter um documento que serviria para dar baixa a uma empresa falida há 10 anos. Eram 11h15 quando ela conversou com a equipe da Folha, sem ter qualquer expectativa de quando seria atendida.
A funcionária de um escritório de contabilidade Dilma Moser, 39 anos, diz que está há um mês para encerrar o processo de parcelamento de uma dívida. ‘‘A Receita Federal está uma bagunça. Você tem de chegar aqui às seis horas da manhã para retirar uma das 130 senhas que eles fornecem. Se não conseguir, tem de retornar outro dia’’, afirmou.
‘‘Essa demora faz com que a gente acumule outras tarefas e acaba atrasando tudo’’, reclama o estudante de contabilidade Paulo Eduardo Cavarsan, 29 anos, que havia chegado à CAC por volta das 9 horas e às 11h10 ainda não tinha sido atendido. ‘‘Falta uma melhor triagem das pessoas que precisam desses serviços’’, disse o contador Jackson Riback, 45 anos, numa tentativa de explicar a demora. Ele prevê que até janeiro próximo o atendimento vai piorar porque a Receita centralizou em apenas uma relação o Cadastro Geral dos Contribuintes (CGC).
O delegado substituto da RF em Curitiba, Virgílio Concetta, admitiu que ‘‘realmente existem dificuldades’’. No entanto, ao rebater as críticas do contabilista Antônio Dóro, considera que existe uma diferença significativa entre o funcionamento do serviço público e o de uma empresa privada.
Concetta afirmou que houve um aumento na demanda de pessoas que procuram os serviços desde que a Receita passou a fazer mais exigências de documentação. Sobre as constantes panes no sistema de informática, o delegado substituto falou que a base de informações localizada em São Paulo depende dos serviços da Telesp e da Telepar. Ele adiantou que ‘‘em breve’’ Curitiba terá condições de centralizar os dados.

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