Obstáculos para locomoção de deficientes
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Ibiporã - Coloque uma venda em seus olhos e tente realizar as tarefas que faz normalmente em sua casa. Agora imagine alguém fazendo isso diariamente, porém muito além dos domínios residenciais, andando pelas ruas e calçadas do município. Se a pessoa não tiver memorizado todos os obstáculos no trajeto, as chances de atingir um obstáculo são grandes. Da mesma forma os cadeirantes também enfrentam barreiras para se locomover.
Muitos municípios considerados pelo IBGE de pequeno porte por possuírem menos de 50 mil habitantes ainda não têm calçadas acessíveis para pessoas com deficiência. No Norte do Paraná, Ibiporã e Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina), por exemplo, ainda não oferecem condições para que esse público percorra sequer o Centro sem colocar em risco a integridade deles.
Em Ibiporã a professora de música Eloísa Menegueti Faria é deficiente visual e confirma a dificuldade de locomoção. "De todas calçadas existentes na cidade, no máximo 10% estão adequadas na região central do município", afirmou Eloiísa, que trabalha no Centro de Atendimento ao Deficiente Visual de Ibiporã (Cadevi).
Ela destacou que faltam pisos táteis, não existe sinalização adivertindo sobre lixeiras, orelhões e outros mobiliáries e muitas pessoas não se preocupam em deixar o caminho livre para o trânsito dos deficientes visuais.
Eloísa destaca que a bengala possibilita que consiga identificar os desníveis, mas em alguns casos existem abusos. Na própria quadra do Cadevi não há pisos táteis para auxiliar esse público, assim como na praça da Avenida Paraná, em frente à Igreja Matriz. Prefeitura, Fórum e Câmara Municipal também não possuem calçadas com pisos táteis.
No comércio são raras as boas iniciativas. Um exemplo é a comerciante Rosilda Borsato, que implantou as faixas táteis em frente à loja de materiais esportivos. "Colocamos por livre e espontânea vontade. Já sabíamos que a legislação um dia iria mudar e resolvemos mudar. Acho importante para melhorar o acesso das pessoas com alguma deficiência", ressaltou.
Para quem é cadeirante, os desafios também são enormes. "Existem muitas calçadas sem rebaixamento para cadeirantes e isso faz com que a gente dependa do auxílio de outra pessoa para poder transitar pela cidade", destacou Pablo Augusto Araújo Delfino, de 25 anos, que sofreu um acidente de moto há seis anos, que o deixou paraplégico.
Delfino criticou a falta de uma política de acessibilidade no município. Em frente à praça da Igreja, por exemplo, a guia rebaixada está presente apenas em um lado da faixa de pedestres. "São 15 cm que parecem uma muralha para mim. Aqui nós encontramos muitos buracos que impedem que a gente circule pelas calçadas."
O Código de Posturas de Ibiporã determina que o Executivo pode exigir a construção de passeio ecológico e com acessibilidade universal na forma fixada em lei ou regulamento. Uma calçada acessível é aquela que permite o trânsito de adultos, crianças, idosos, pessoas deficientes visuais ou em cadeira de rodas ou carregando malas, carrinhos de compras, de forma segura e confortável.
O Secretário Municipal de Planejamento de Ibiporã, Paulo Sérgio Victor, afirmou que o Código de Posturas e o Plano Diretor do Município estão sendo revistos e que espera que em 90 dias seja possível elaborar um decreto exigindo a acessibilidade das calçadas de Ibiporã. Ele destacou que vem estudando modelos de outros municípios como Londrina, Maringá e Curitiba para poder adequar um projeto apropriado ao município.


