Obstáculos na educação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Dados do Censo da Educação Superior de 2010 apontam que em um universo de 6,3 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação, apenas 16.328 universitários são identificados como pessoas com deficiência. O Censo revela que eles enfrentam dificuldade de ingresso na faculdade pelas condições oferecidas nos ensinos Fundamental e Médio e a permanência nas instituições de ensino superior também é um desafio. Um dos problemas é a questão da acessibilidade.
A reportagem visitou as universidades Estadual de Londrina (UEL) e a Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) para verificar a estrutura oferecida ao público com deficiência, como existência de alternativas às escadas e outras barreiras arquitetônicas e também bibliotecas com livros ampliados e material em braille.
Na UEL existem salas ou laboratórios em andares superiores que impedem o acesso autônomo de um cadeirante. O estudante de Física, José Carlos Figueiredo Junior, afirma que a universidade ainda não está preparada para receber alunos com deficiência. Ele possui uma doença degenerativa que prejudica a visão e cita problemas como a baixa luminosidade à noite, provas escritas que deveriam ser ampliadas, apresentação do conteúdo em quadros-negros com pouca visibilidade e aulas com transparências ou datashows inadequadas. Para superar parte dessas dificuldades ele adquiriu um tablet que possibilita ampliar as letras dos livros e dos sites.
A responsável pelo Núcleo de Acessibilidade da UEL (NAC), Ingrid Caroline de Oliveira, admitiu que a UEL precisa melhorar a sua acessibilidade. Porém, destacou que se algum estudante tem dificuldades para acompanhar as aulas pode acionar o Núcleo. Ela explicou que recentemente o NAC adquiriu uma lupa eletrônica a pedido de Figueiredo Junior, mas que ela ainda não foi ativada porque o monitor de TV não possuía o tamanho adequado. Sobre as provas com letras pequenas e a baixa luminosidade, ela afirmou que o aluno não relatou o problema ao NAC.
Concepção moderna
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná, por ter prédios mais modernos, foi concebida para atender o público com necessidades especiais, como elevadores, rampas, pisos táteis, embora não ofereça biblioteca com títulos de livros ampliados ou em braille. Uma das justificativas é que a instituição não possui nenhum aluno com deficiência, apesar de ter em seu quadro uma docente com deficiência auditiva. Ela é professora da Linguagem Brasileira de Sinais e pediu à universidade um intérprete terceirizado de Libras para poder dar aulas.
O coordenador do Núcleo de Apoio de Necessidade Física da UTFPR, André Luiz dos Santos, explicou que o pedido da professora foi atendido e que o mesmo procedimento será adotado com todos os alunos que solicitarem apoio. ''Embora não tenhamos livros ampliados, se um aluno solicitar providenciaremos o mais rápido possível'', destacou.
Segundo a diretora de política de educação especial do Ministério da Educação (MEC), Martinha Clarete Dutra Santos, das 700 mil matrículas de pessoas com necessidades especiais no Brasil, 74% delas estavam matriculadas em salas de aula comuns no ano passado, contra um índice que era de 13% em 1998. ''Esse avanço nos indicadores não aconteceu gratuitamente, mas pela adoção do princípio da educação inclusiva'', salientou. Ela ressaltou que se um indivíduo passa a vida inteira excluído em escolas para pessoas com necessidades especiai, não é na vida adulta que irá conseguir se integrar.


