Arapongas - Uma enorme erosão ameaça a nascente do Córrego Tabapuã, no Parque das Nações, em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina). O problema, que se arrasta por vários anos, já destruiu boa parte da mata no interior do parque. O alerta foi feito pelo Observatório Ambiental, que acionou o Ministério Público. A prefeitura disse que estuda a situação, mas projetos e obras para solucionar o problema ainda não existem.

"Há três anos a situação aqui no parque já estava feia, mas agora tornou-se mais complexa. As árvores da mata ciliar estão sendo 'engolidas' pela erosão", disse a presidente do Observatório Ambiental de Arapongas, a advogada Sandra Gasparotti. O termo "engolida" não é exagero. A erosão que cresce sem freios formou um buraco de cerca de dez metros de profundidade que só aumenta a cada chuva forte, levando embora toda a terra sob as árvores. Muitas delas já estão com as raízes à mostra e a queda é só questão de tempo.

"Tem que ter um cuidado especial no planejamento urbanístico para preservar as nascentes", disse Sandra Gasparotti. Ela ressalta que não é apenas a mata no interior do parque que sofre com a falta de planejamento urbano. Segundo a presidente do Observatório, toda a área do parque foi construída sobre uma nascente. Na área das arquibancadas, é possível ver a água brotando em meio ao concreto.

O secretário municipal de Obras, Pedro de Marco Junior, disse que espera uma orientação de uma comissão de técnicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para elaborar projetos e fazer orçamentos das intervenções necessárias e viabilizar a dotação orçamentária, mas adiantou que as obras ficarão para a próxima gestão. "Ali na região tem um problema crônico de drenagem urbana. Já foi arrumado várias vezes, mas tem que por uma nova tubulação, mas faltam recursos. A erosão é parte desse problema de drenagem e só tomei conhecimento um ou dois meses após as chuvas de janeiro, que intensificaram o problema", disse o secretário.


A promotora do Meio Ambiente de Arapongas, Leda Barbosa Lorejan, disse que as fortes chuvas do início do ano afetaram não só o Parque das Nações, mas outros oito pontos da cidade. O Ministério Público (MP) solicitou à Mineropar, o serviço de geologia do Estado, um estudo de solo e, a partir desse estudo, foi feita uma vistoria em conjunto com a Sanepar, Instituto Ambiental do Paraná e secretarias municipais para avaliar os pontos que necessitavam de maior atenção.
Posteriormente, uma outra vistoria foi feita com a comissão de técnicos da UEL. "Tudo isso está sendo apurado em um procedimento administrativo instaurado por conta dessas chuvas de janeiro aqui em Arapongas", disse a promotora.

Após as vistorias, informou Leda Lorejan, o MP também solicitou ao município obras para desvio das águas pluviais em pontos onde já foram constatados processos erosivos. "As galerias pluviais são um grande problema aqui. A ausência ou deficiência dessas galerias auxiliou nessa situação que foi constatada no início do ano", afirmou a promotora. "Agora, percebe-se que o município ainda não se estruturou devidamente para contemplar todas essas situações. As verbas federais esperadas por conta da decretação de estado de calamidade pública no início do ano também não vieram."

mockup