Obrigatoriedade do voto permite a equidade
Apesar de haver mais de duzentos países no mundo, apenas 58 deles são democráticos. Entre eles, o voto é compulsório em 24, como Bélgica, Austrália, Costa Rica e Uruguai. A informação é da doutora em ciência política Luzia Helena Herrmann de Oliveira, do departamento de Ciências Sociais da UEL.
A professora realizou uma pesquisa sobre o assunto, que resultou no artigo ''Voto obrigatório e equidade''. Em seu trabalho, Luzia identificou que as pessoas que se mostraram menos dispostas a votar, caso o voto fosse facultativo, têm, em sua maioria, características sociais e econômicas parecidas. ''São muito jovens ou os mais idosos, e as pessoas que têm menor poder aquisitivo e nível de escolaridade. Enfim, os que não estão completamente integrados à sociedade'', enumera.
A favor do voto compulsório, a pesquisadora argumenta que, sem a obrigatoriedade, essas pessoas que já não se sentem integradas passariam a se sentir mais alheias ainda em relação à política, o que acabaria por excluir uma grande parcela de brasileiros. ''As pessoas, independentemente de sua escolaridade ou nível social, são igualmente cidadãs; elas apenas não tiveram as mesmas oportunidades. E se isso ocorreu foi porque a própria sociedade não proporcionou essas oportunidades. O voto, então, é o único meio que lhes permite se igualar às outras, com o mesmo poder de participação'', alega. Para a professora, quem não deseja participar do processo político também tem seus meios, anulando ou votando em branco, por exemplo.
Luzia considera que também é preciso desenvolver a percepção do que é a democracia, incentivar a participação e melhorar o sistema político. ''Uma possível solução seria integrar essas pessoas por meio de uma educação de qualidade e do acesso à informação. Não é anulando a participação política que o problema vai se resolver. Pelo contrário, só vai piorar.''(A.I.)





