As obras do Novo Centro de Maringá, paralisadas há mais de dois anos, transformaram um trecho de aproximadamente 600 metros na área central da cidade em armadilha para os pedestres. De janeiro até agora, o Hospital Universitário de Maringá atendeu seis pessoas acidentadas no local. A maior parte com fraturas causadas por quedas dentro do túnel, que em alguns trechos tem 10 metros de profundidade. No ano passado, um aposentado morreu depois de cair em um dos vãos do túnel, onde a linha de trem vai passar quando a obra estiver concluída.
A assistente social do HU Miriam Fernandes Martins revela que o número de acidentados no Novo Centro chamou a atenção dos médicos. ‘‘Os plantonistas começaram a contar as vítimas de quedas no local, e os números assustam. Queremos alertar sobre o perigo que é cortar caminho pelo local’’, disse.
Um dos casos mais graves atendido recentemente pelo HU é do desempregado José Marcos Gonçalves, 29 anos, que mora na Zona 7. Ele teve fratura exposta no pé direito e fratura na coluna cervical, na altura do pescoço. ‘‘O primeiro diagnóstico é que eu ficaria paraplégico, o que graças a Deus não foi confirmado’’, disse ele ontem à Folha. Há 60 dias imobilizado em uma cama, Gonçalves não sabe como será a sua recuperação. Desempregado desde abril do ano passado, ele trabalhava como jardineiro. A mulher, Judite, teve que deixar o emprego para cuidar dele.
Gonçalves conta que na noite do dia 17 de dezembro do ano passado, depois de sair de um bar, decidiu cortar caminho pela linha do trem da avenida Pedro Taques até a São Paulo. ‘‘Tinha bebido só duas cervejas’’, garantiu. No trecho, de 200 metros, existem duas aberturas no túnel. Quando passava próximo a uma casa, desviou de cachorros e caiu de uma altura de 10 metros. Ele não sabe ao certo quanto tempo ficou dentro do túnel. ‘‘Acordei todo doído, me arrastei e escalei parte da parede perto dos trilhos até alcançar a guarita do guarda’’, contou.
O acidente aconteceu por volta da meia-noite, mas Gonçalves conseguiu chegar até as proximidades da Avenida São Paulo pouco antes das seis da manhã. ‘‘O que mais chateia a gente é que agora todo mundo fica falando que só desocupados e drogados passam pelo local’’, lamenta. Ele diz que ainda não sabe se vai acionar a prefeitura, responsável pela obra, na Justiça. Gonçalves só cobra do município uma proteção nos vãos do túnel para evitar novos acidentes. ‘‘Não sei como vou sair dessa. Quero apenas que me arrumem um emprego.’’
O presidente da Urbamar, empresa responsável pela urbanização do Novo Centro, Adriano Valente, disse à Folha ontem que o local é um canteiro de obras, e que as pessoas deveriam evitar passar por ali. ‘‘Depois do primeiro acidente cercamos os vãos do túnel com arame e sinalizamos com faixas. Não sei como as pessoas se acidentam no local’’, afirmou. Ele disse que os vãos servem para entrada de luz no túnel. Segundo Valente, a continuidade das obras depende de liberação de recursos do Programa Paraná Urbano.

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