Com uma cerimônia junto às Cataratas, em Foz do Iguaçu, no dia 10 de janeiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançará oficialmente as obras de revitalização do Parque Nacional do Iguaçu, orçadas em R$ 20 milhões e bancadas pela iniciativa privada.
O contrato com o consórcio Satis, único concorrente no processo de licitação, lançado em agosto, foi assinado no dia 22, na Superintendência Estadual do órgão, em Curitiba. Em nome do consórcio assinou Salomão Soifer, presidente da Soifer Participações, empresa majoritária no grupo.
Segundo a superintendente interina do Ibama, Marlene Dias Carvalho, as obras vão começar em um prazo máximo de 60 dias. O objetivo é aumentar a permanência do turista - hoje restrita a poucas horas - e pelo menos dobrar o faturamento anual da reserva, que arrecada atualmente R$ 4,8 milhões.
Com 180 mil hectares de mata e considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco (órgão da ONU para a cultura e a ciência), o Parque do Iguaçu é a unidade de conservação mais rentável do Brasil, mas vinha perdendo visitantes a cada ano, em consequência da infra-estrutura deficiente. Em 97, o parque recebeu 760 mil visitantes (uma queda de 10% em relação ao ano anterior). Do total arrecadado, apenas 40% são investidos na reserva. O restante cobre o rombo de parques deficitários.
O processo de terceirização dos serviços foi dividido em dois lotes. O primeiro inclui a construção de um centro de recepção de visitantes e um estacionamento na entrada do parque, e a implantação de um sistema de transporte para levar os visitantes desse local até as Cataratas. No segundo, estão previstos a construção de um novo mirante, novos restaurantes e lojas e a exploração de trilhas na mata.
O consórcio Satis é formado por cinco empresas brasilerias - duas baianas e três paranaenses (duas de Foz do Iguaçu e uma de Curitiba). Pelo contrato, o Ibama vai receber royalties de 11% do valor dos ingressos (hoje fixado em R$ 6,00) e 5% dos demais serviços e produtos oferecidos na reserva. Segundo Marlene Carvalho, o preço do ingresso não será alterado.
O contrato fixa que, quando as obras estiverem concluídas, o órgão federal vai receber, no mínimo, R$ 100 mil mensais, mesmo que o consórcio não obtenha lucro.
Durante o período de obras, esse repasse será de R$ 75 mil mensais. ‘‘O meio ambiente brasileiro vai ganhar com esse processo’’, afirmou à Folha a superintendente do Ibama. O prazo de concessão é de 15 anos, renovável por igual período.
Segundo ela, os outros parques nacionais situados no Paraná - Superagui, no Litoral; e Ilha Grande, criado há um ano no Noroeste do Estado - serão beneficiados com os recursos obtidos nas Cataratas.Arquivo FolhaRevitalizaçãoCom 180 mil hectares e considerado Patrimônio da Humanidade, o parque é o mais rentável do PaísValmir Denardin

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