Obras podem ter ajudado na entrada das armas
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terça-feira, 10 de outubro de 2000
De Curitiba 
A entrada de armas e até de uma granada na Penitenciária Central do Estado (PCE) pode ter sido facilitada pela obras de reconstrução da ala afetada pela rebelião que ocorreu no mês de junho deste ano. A suspeita foi levantada pelo próprio secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares. De acordo com ele, as obras de reconstrução do presídio estão deixando a segurança do local fragilizada.
Para Sandra Márcia Duarte, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado, a entrada de armas e celulares pode ter sido causada pelas visitas. A quantidade de sacolas que as visitas mandam aumentou muito. Tudo é revistado, mas eles se tornam cada vez mais sofisticados, comentou.
O deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier (PT-PR) lembrou que quando visitou a penitenciária, junto com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, percebeu que os detectores de metal não estavam funcionando. A situação da PCE já era de total falta de segurança. Com as obras, as coisas ficaram piores. Com certeza, os armamentos entraram com os restos das obras, analisou.
O agente penitenciário Afonso Saragona Júnior disse ser fácil a entrada de armas nos materiais de construção. Segundo ele, os armamentos poderiam ter entrado em caminhões de areia. Não temos como revistar tudo. Isto pode acontecer, afirmou. O coordenador do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), Lauro Valeixo, disse que não pode confirmar como as armas entraram no presídio. É difícil esclarecer se isto pode entrar pela construção, afirmou.
As obras de reconstrução da PCE iniciaram em setembro e estão 30% concluídas. Ao todo, o Estado deverá investir cerca de R$ 1 milhão para a reforma da ala dos 63 canteiros de obras e dos pavimentos de segurança, administração e informática. As obras devem durar mais quatro meses. Na Penitenciária Provisória de Curitiba, no Ahú, também devem ser iniciados os trabalhos de reforma da ala atingida com a última rebelião, ocorrida em julho.
Sandra Duarte disse que as negociações de ontem demonstraram evolução. Dos 15 presos, cinco aceitaram ser transferidos, disse. Porém, a intransigência de outros presos em negociar apenas a fuga demonstra que o processo ainda vai ser longo. Eles estão endurecendo a negociação. Da forma como estão colocando, não há alternativa, afirmou.


