Obras param e material se deteriora
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
Marcos NegriniEsperaMaterial fornecido através de convênio com o governo do Estado resolveria o problema da erosão As obras de recuperação do Bosque Dois, maior reserva ecológica de Maringá, estão paradas há oito meses e parte do material que deveria ser utilizada para a construção de galerias pluviais está se deteriorando. Tubos de concreto e ferragens estão a céu aberto no meio das matas e na parte externa da reserva. O material foi fornecido pelo governo do Estado através de um convênio firmado ano passado com a prefeitura de Maringá. Para executar as obras, a prefeitura ficaria responsável pela mão-de-obra.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Urbano e de Habitação, Carlos Eduardo Schwabe, a prefeitura iniciou este mês novas negociações com a Superintendência de Recursos Hídricos e de Saneamento do Estado para conseguir o repasse de mais R$ 700 mil, necessários para a continuidade dos serviços. Ele explicou que pelo convênio anterior a prefeitura é responsável pela mão-de-obra que irá executar as galerias pluviais internas do Bosque. Segundo Schwabe, a construção das galerias externas será de responsabilidade do governo do Estado, conforme as negociações para o novo convênio.
A construção de um anel de galerias em torno do Bosque Dois é fundmental para a recuperação da reserva, que tem mais de 90% da área degradada. Conforme o plano de manejo da reserva, o Bosque Dois tem hoje voçorocas de até 18 metros de profundidade e 15 metros de largura. A maioria das erosões mede de um a cinco metros de largura e estão espalhadas por toda área. As erosões ocorreram em função da impermeabilização em torno do Bosque. Sem galerias pluviais, as águas das chuvas se convergem para dentro do Bosque, causando, ao longo dos anos, inúmeras voçorocas.
Reinício No ano passado, apenas 20% das obras de recuperação da reserva foram realizadas. A estimativa, segundo Schwabe, é de que ainda este mês a prefeitura reinicie a construção das galerias internas utilizando parte do material disponível. Ele explica que os R$ 700 mil serão utilizados para recuperar parte do material deteriorado e na compra de novos equipamentos.
Boa parte das voçorocas existentes no Bosque Dois foram formadas na década de 70 com a abertura de trilhas para pistas de motocross. As pistas abriram sulcos no solo que propiciaram o aumento da erosão na reserva. O Bosque acabou sediando apenas uma competição porque os moradores da região protestaram. Só em 1972, a reserva foi cercada com arame. O Bosque Dois foi demarcado junto com o Parque do Ingá pelo urbanista Jorge Macedo Vieira, antes mesmo da fundação de Maringá. As duas reservas formam o pulmão verde da cidade. Em 1986 o Bosque Dois foi declarado de preservação permanente.


